A residência dos Lança Parreira (na imagem), uma das mais abastadas famílias de Alvalade no século XIX, situada na antiga rua da Estalagem (actual rua 31 de Maio de 1834), ficou célebre após ter recebido o rei D. Miguel I, já deposto, que nela se hospedou no dia 31 de Maio de 1834 quando se dirigia a Sines a caminho do exílio após a convenção de Évoramonte. Terá sido mesmo o último edifício onde D. Miguel dormiu em território nacional, já que a noite de 1 de Junho foi passada dentro da corveta Stag, ao largo de Sines. Um episódio marcante na História local e para o próprio imóvel, que mais tarde obrigaria os seus proprietários a abandonar a vila. Entre 1920 e 1942 foi escola feminina, mas o seu estado de degradação obrigaria à transferência daquele “posto” de ensino público para a igreja da Misericórdia. Foi mais tarde demolida, assim como as habitações contíguas, e cujo espaço foi depois ocupado pela sede da Casa do Povo, inaugurada em 1964. A platibanda incompleta da frontaria, que ficaria assim até ao desaparecimento do edifício, resultou da derrocada provocada pelo violento ciclone que assolou o país no dia 15 de Fevereiro de 1941. A efeméride ou episódio histórico da pernoita de D. Miguel em Alvalade, justificaria um pequeno painel de azulejos, enquanto elemento de informação histórica e cultural, com o desenho da casa, a data e o resumo do acontecimento, por exemplo adossado no muro da sede da Casa do Povo, local onde esteve o edifício ou residência dos Lança Parreira.
_LPR






FLV
3 mêss atrás
Sendo um edificio com tão grande memória em Alvalade, concordo em absoluto com a sugestão aqui colocada.
Julgo ser o edifício “civil” mais notável de Alvalade, com alguma erudição no seu alçado, destacando-se o desenho da cantaria da porta de entrada, o primeiro piso quase como uma “gigantesca” trapeira, com uma varanda corrida em ferro forjado, a platibanda contracurvada, com enrolamentos, enquadrada por vasos de florões (seriam em pedra ou porcelana?), as cornijas, as janelas de guilhotina…
Infelizmente julgo não existir mais informação sobre o interior, as traseiras ou outros elementos notáveis.
admin
3 mêss atrás
Olá Francisco
Seria certamente um dos edifícios mais importantes do ponto de vista arquitectónico, à época, em Alvalade. Ao nível da frontaria julgo que não haveria nenhum com tanto pormenor decorativo. É evidente que faria todo o sentido colocar no muro da Casa do Povo um pequeno painel com um pequeno apontamento deste episódio histórico. Assim como os topónimos antigos das ruas do centro histórico, por baixo dos topónimos actuais. É informação histórica e cultural que importa valorizar e divulgar. Nem sequer estamos a falar de coisas que impliquem grandes investimentos ou despesas, e é também nestes “pormenores” que se vê o cuidado e atenção que cada terra e cada comunidade dedica à valorização da sua memória colectiva.
Sobre o edifício, ao nível do interior e organização do espaço, tenho tentado mas ainda não consegui obter mais informações ou detalhes.
Um abraço,
LPR
Ana Maria Santos
3 mêss atrás
É de facto um edifício muito interessante, com um recorte no cimo muito parecido com o mesmo recorte do hospital de Santiago, na Praça Conde do Bracial ou praça do pelourinho. Estou de pleno acordo com um painel ou uma placa sobre esse acontecimento historico de Alvalade Sado, do Rei D. Miguel, até porque é muito comum pelo país encontrar esses paineis ou placas assinalando o nascimento de personalidades, ou onde residiram e até acontecimentos importantes como neste caso, e é uma pena que o prédio não tenha chegado aos nossos dias porque era um monumento importante não apenas para Alvalade Sado como para o concelho.
admin
3 mêss atrás
Exactamente Ana. Ora assinalando locais de batalhas, factos históricos relevantes, casas onde viveram personagens ilustres da nossa história, etc, atrevo-me a dizer que poucas serão as povoações que não perpectuam essa informação histórico-cultural através de um painel de azulejos, uma placa, um memorial, um obelisco, etc, nos respectivos locais. Por isso seria de todo justificado que a pernoita do rei D. Miguel em Alvalade fosse igualmente perpectuada com a colocação de um pequeno painel de azulejos, por exemplo no muro da Casa do Povo, em frente do local onde em tempos esteve a casa dos Lança Parreira. E é também através destes pormenores e destas pequenas obras que se valoriza a memória colectiva da terra e neste caso o centro histórico, enquanto documento vivo. Com boa vontade, não seria difícil nem sequer oneroso.
_LPR
JORGE SEVERINO
3 mêss atrás
Parece um palácio em ponto pequeno e claro só pessoas com posses podiam ter uma casa como esta há cento e tal anos. J. Severino
Henrique Albino Figueira
2 mêss atrás
É muito bom ver que a casa dos meus tetravós continua a merecer o carinho dos alvaladenses. É sem dúvida um edifício muito interessante que, devido a várias razões, saiu da posse da família.
Era interessante a criação de uma sinalética interpretativa que o “enquadrasse” na história da localidade.
admin
2 mêss atrás
Caro Sr. Henrique
Concordo em absoluto consigo, tal como já fiz questão de sugerir no artigo e nos comentários anteriores.
Julgo que não seria difícil nem sequer dispendioso criar e adossar um pequeno painel de azulejos no muro da Casa do Povo onde em tempos esteve a casa dos seus tetravós, e onde o infante D. Miguel pernoitou.
Ou em alternativa, um painel que reconstitua e conte um pouco da história daquela praça, dos edifícios que nela existem e os que antes lá estiveram. Já tenho visto esses elementos noutras terras. São contributos que ajudam a conhecer melhor a história dos locais e podem inserir-se em pequenos percursos.
Se nos quiser falar um pouco dos seus tetravós, escrevendo um pequeno artigo, enviar uma ou outra fotografia, julgo que teria interesse para os alvaladenses que pouco sabem quem foram os Lança Parreira e em que contexto receberam D. Miguel naquela época conturbada.
Um abraço,
_LPR