A casa da câmara e cadeia de Alvalade

Maio 27th, 20103:17 pm @ admin

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Edifício de linhas simples, dos finais do século XVIII, a antiga casa da câmara ou paços do concelho de Alvalade, tinha no piso superior o seu espaço nobre, constituído por uma sala de serviços de administração municipal e um salão para reuniões e actos solenes. Foi aí que, em 18  de Julho de 1833, o Duque da Terceira e parte do seu “estado-maior” reuniram a vereação e as demais autoridades de Alvalade, exigindo que aclamassem D. Maria II, como soberana e rainha de Portugal, renunciando a fidelidade a D. Miguel anteriormente declarada. Com a extinção do concelho, o edifício teve usos diversos e chegou a ser escola masculina na primeira metade do século XX. O piso térreo era parcialmente ocupado por uma pequena cadeia, de cela única, situação muito comum na história do municipalismo português e que remonta aos finais da idade média. A grade de ferro da janela da velha cela, defronte para a praça, ainda é visível numa ou noutra fotografia amarelecida pelo tempo (clique na imagem para a ver) e traz à memória vários casos dramáticos da história social alvaladense, onde se destacam alguns homicídios violentos, quase sempre por questões passionais ou amores desencontrados que desassossegaram Alvalade no século XX, um deles ocorrido no cerrado de S. Pedro, ainda hoje lembrado pela população mais idosa. A tipologia da cela permitia a “exposição pública” dos detidos, e aguçava a curiosidade da população quando tinha “hóspedes”, quase sempre por escassas horas, um dia ou uma noite até serem encaminhados para Santiago, para aí serem julgados. Mais do que um testemunho material importante do antigo concelho e da autonomia de Alvalade, a casa da câmara e da cadeia é um símbolo identitário por onde passou grande parte da vida administrativa, judicial, política e social da freguesia ao longo de vários séculos.

Terá Alvalade vontade e capacidade algum dia para construir um centro paroquial de raíz, com instalações condignas para o pároco residente e para as actividades da paróquia, e criar  nos antigos paços do concelho um espaço evocativo e divulgador da história e das memórias sociais alvaladenses, inserido num plano de revalorização do centro histórico e da freguesia?   

 

                                                                                                                                                  _LPR