Cine-Alvalade inaugurado há 54 anos

Junho 29th, 20102:14 pm @ admin

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No dia 29 de Junho de 1956, o Cine-Alvalade abriu as portas pela primeira vez com a exibição do filme “O Escudo Negro de Falworth”, realizado dois anos antes, e cujo elenco integrava Tony Curtis, Janet Leigh, David Farrar e Barbara Rush, entre outros. Nas três décadas seguintes recebeu algumas das maiores figuras e artistas nacionais da música ligeira e do fado, os principais filmes que as produtoras cinematográficas nacionais e estrangeiras foram realizando e muitas das melhores companhias de teatro portuguesas, tornando-se rapidamente num espaço cultural de referência na região. A esplanada, ao lado do corpo principal do edifício, foi também durante várias décadas o local de eleição na animação de Verão da freguesia com os bailes de conjunto/grupos musicais, as festas e os torneios de futebol de salão. Os tempos mudaram e moldaram uma sociedade com novos hábitos de consumo e outros interesses, lavrando, ano após ano, o declínio do Cine-Alvalade, e o seu encerramento, em meados dos anos oitenta, acabou por ser inevitável. Afinal, o mesmo desfecho de muitas salas de espectáculos ao longo do país. Sendo parte importante e indissociável da memória e do imaginário da comunidade alvaladense, é com um misto de nostalgia e tristeza que muitos de nós olhamos para aquele edifício nos dias de hoje. Teve, durante vários anos, promessa e projecto para ser Centro Cultural mas a tarefa de resgatar aquele espaço e devolvê-lo à sociedade alvaladense não se afigura coisa fácil nos tempos que correm. A fraca presença de público alvaladense nos eventos culturais que  se realizam na vila parece ter feito recuar a edilidade num investimento que seria volumoso. Ainda assim, tratando-se de um espaço de referência e património da terra, seria importante abrir e lançar a discussão sobre o futuro do velho cinema e a sua eventual readaptação às actuais necessidades culturais da freguesia. Com um novo projecto, menos oneroso, será que é possível e Alvalade conseguiria tirar partido da transformação daquele edifício num espaço polivalente partilhado pelas associações, escolas, colectividades, etc, com condições para receber exposições, festas, pequenos concertos, ateliers de pintura, pequenas acções de formação de teatro, música, dança, fotografia, entre outras actividades? Um espaço que consiga receber e dinamizar as camadas jovens mas também os mais velhos, promovendo o relacionamento e o convívio entre gerações?

                                                                                                                                                        _LPR