A origem da família Lança Parreira, que em 31 de Maio de 1834 recebeu e acolheu 0 rei D. Miguel I, já deposto, na célebre casa da Praça D. Manuel I (na imagem), divide-se entre S. Romão do Sado e Beja (Santa Vitória). Luis da Lança Parreira, filho de José da Lança Parreira (nascido a 12 de Outubro de 1763) e de D. Felizarda Joana de Faria, ambos naturais de S. Romão, nasceu na mesma terra em 18 de Abril de 1800 e casou com D. Teresa Luísa da Lança Parreira, natural de Alvalade, onde nasceu em 15 de Outubro de 1800. Tiveram, pelo menos 7 filhos. Família prestigiada e de posses, participaram, quase sempre, na administração e nas decisões mais importantes da terra, especialmente Luis da Lança Parreira, que viria ainda a desempenhar o cargo de procurador do concelho de Messejana (equivalente ao actual cargo de presidente de câmara) em 1840, 1845 e 1846, depois de ter sido vereador em 1837. Com o casamento de D. Maria Felizarda Parreira da Lança (nascida em Alvalade em 12 de Abril de 1860), bisneta de Luis da Lança Parreira, com Henrique Rodrigues Albino, em 1 de Janeiro de 1879, a família fixa-se definitivamente em Messejana, onde ainda mantém descendentes, o jazigo familiar e algum património. Na família, permanece ainda bem vivo o episódio da pernoita de D. Miguel I em Alvalade, e guarda também uma relíquia do Infante, uma faca com cabo de prata que pertencia aos talheres reais que ficou na casa juntamente com uma espada que, de acordo com a tradição, foi mais tarde resgatada pelo célebre guerrilheiro miguelista Remexido através de quatro homens da sua quadrilha.
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José António Falcão
2 mêss atrás
Muito interessante o comentário sobre esta família da aristocracia local, espécie de nobreza rural quase extinta entre nós. Em Sines (Museu Municipal) conserva-se uma terrina cuja história lembra a da dita faca, correspondendo supostamente à derradeira refeição de D. Miguel em solo pátrio.
admin
2 mêss atrás
Sem dúvida uma família com pergaminhos e grande prestigio em Alvalade e que o destino e as agruras da vida levaram a mudar e fixar-se em Messejana. Está ainda por conhecer a relação desta ilustre família com alguns membros da comitiva que acompanhava D. Miguel, e que, ao que tudo indica, terão sido determinantes na escolha de Alvalade para a dita pernoita. Talvez um dia isso possa ser aclarado e compreendido o respectivo contexto.
_LPR
Henrique Albino Figueira
2 mêss atrás
É importante referir que a nossa família ainda tem património em Alvalade.
Acerca da história da terrina que existirá em Sines só posso dizer o seguinte: em toda a bibliografia que consultei até hoje só se fala da existência de uma faca de prata e de uma espada recolhida, mais tarde, pelo Remexido. Como se sabe, o Rei D. Miguel pernoitou na “nossa” casa de Alvalade e é facto que lá deixou esses dois utensílios. Agora, como é que a terrina surge em Sines? Desconheço.
Acerca do parentesco da família com membros da comitiva, deixo a indicação de que o chefe da comitiva, Simão Infante de Lacerda, era parente dos meus avoengos.
admin
2 mêss atrás
Sim, já sabia que Simão Infante de Lacerda, comandante do regimento de Lanceiros que escoltou D. Miguel no trajecto entre Évora e Sines, era familiar dos Lança Parreira e de uma outra ilustre família santiaguense, mas como isso está ainda em investigação/estudo não o quis mencionar.
Quanto à terrina de Sines, é uma peça de loiça com o brazão real, que a tradição diz ter servido a última refeição de D. Miguel em território português, que está exposta no museu municipal de Sines e se consegue ver no site da respectiva câmara municipal.
_LPR
Ana Maria Santos
2 mêss atrás
Faz falta um bom estudo sobre as familias importantes da nossa região e o seu papel em momentos cruciais da história do Alentejo e de Portugal.
FLV
2 mêss atrás
Como complemento à informação anterior, José da Lança Parreira era filho de Simeão Fernandes Lança e de Domingas Teresa de São José Parreira e irmão de António Parreira da Lança que veio casar a Santiago do Cacém com Feliciana Teresa Nobre Pacheco e tiveram um filho, João Parreira da Lança, que casou com Maria Cristina Luzeiro de Roboredo Infante de Lacerda, prima direita de Simão Infante de Lacerda, chefe da escolta de El Rei D. Miguel…logo eram todos primos direitos, mas Simão Infante de Lacerda não era parente directo de Luis da Lança Parreira.
Sobre a questão da terrina aparecer em Sines…talvez, a tradição assim o diz, e infelizmente não temos forma de o provar, mas as tradições são as recordações vitais de um povo e como tal devem ser mantidas e preservadas.
Sabe-se que D. Miguel descansou na casa do Padre Galufo, em Sines (já desaparecida) antes de embarcar.
admin
2 mêss atrás
Obrigado Francisco, pelas informações adicionais sobre Simão Infante de Lacerda, liberal assumido, já que foi enquanto comandante do regimento de Lanceiros da Rainha D. Maria II que escoltou e garantiu a segurança de D. Miguel, até Sines. É um facto curioso e que demonstra a elevação e o respeito com que liberais e absolutistas geriram estes momentos derradeiros de D. Miguel em território nacional, neste caso no Alentejo Litoral, o que foi raro ao longo da guerra civil.
Há informação mais do que suficiente para reconstituir este percurso e episódio histórico da nossa região, caso um dia se entenda fazê-lo, até com informações novas como seria este caso da familia Lança Parreira de Alvalade, os Lança Parreira de Santiago e Simão Infante de Lacerda.
_LPR
Luis Martins Silva
1 semana atrás
Só hoje percorri este artigo do alvalade.info e mais uma vez vejo falar-se do punhal, ou espada que o Rei D. miguel teria deixado em casa dos Lança Parreira de Alvalade, onde pernoitou no seu percurso para Sines e daí para o exilio.
Há dias chegou até mim, a informação de que, na vizinha Vila de Aljustrel e na posse de uma família, se encontra uma bacia de prata e um jarro que, segundo se diz, teriam sido utilizados pelo Rei D. Miguel na sua passagem por Alvalade.
É interessante como começam a surgir outros elementos, para além da tão falada faca e espada deixados por D. Miguel como reconhecimento pelo acolhimento em Alvalade.
admin
1 semana atrás
As informações que disponho apenas referem a faca dos talheres reais e a espada.
Nada mais.
Mas admito que possam existir outros objectos que estejam ligados à passagem de D. Miguel por Alvalade.
_LPR
Francisco Lobo de Vasconcellos
1 semana atrás
É natural que, tendo o Senhor D. Miguel passado a noite em Alvalade, existam, e tenham sido guardados, muitos objectos por ele utilizados e em especial que pertenciam à familia Lança Parreira (tal como a terrina de Sines).
Não tinha conhecimento desta informação e deste jarro e bacia, e devemos admitir que tenha sido usado, mas também devemos admitir que por vezes, são tradições ou “lendas” que vão passando de geração em geração.
Importa é não esquecer este episódio e da visita do único soberano português a Alvalade!
admin
1 semana atrás
Como tenho defendido em comentários/artigos anteriores, esta data justifica um tratamento muito particular que deveria ser objecto, entre outros, da colocação de um pequeno painel com um resumo do episódio e a imagem da casa dos Lança Parreira. É um facto histórico de relevo, que deve ser assinalado e transmitido às novas gerações de Alvaladenses e aos visitantes e forasteiros que percorrem as ruas antigas de Alvalade.
É tudo uma questão de vontade, porque nem estamos perante uma obra de vulto, nem de grandes dispêndios.
Naturalmente, e porque não, incluída numa cerimónia, num pequeno evento, onde possa ser editada uma brochura ou um opúsculo sobre o acontecimento.
Não é nada de extraordinário e que implique grandes meios.
Até o próprio Francisco Lobo, como arquitecto, poderia, caso lho peçam evidentemente, desenhar a peça ou painel. Ainda por cima numa iniciativa reforçada, simbolicamente, pelos laços familiares que o unem aos Lança Parreira e à Casa de Bragança.
_LPR
Henrique Albino Figueira
1 semana atrás
Já não me lembrava da história da bacia de prata…
É verdade que ela existe e que está na posse de membros da família.
Quanto ao evento ou publicação de opúsculo, se puder ser útil em alguma coisa disponham.
Henrique Albino Figueira