A importância histórica de Alvalade e dos vários patrimónios que a freguesia guarda, há muito que é reconhecida e defendida por diversos investigadores e historiadores. Parece ser consensual que Alvalade pode ter no património uma alavanca de desenvolvimento importante, dentro de um contexto ou de um plano mais alargado de valorização e redinamização da freguesia. Maria Filomena Barata, historiadora de mérito e membro da Liga dos Amigos de Miróbriga, insere Alvalade num percurso com passagem por alguns dos locais ou sítios mais relevantes do distrito de Setúbal, no que toca ao património edificado e arqueológico, na sua ligação de sempre com o Rio Sado. Esta inclusão de Alvalade neste percurso é, também, reconhecer a importância histórica da freguesia na região e do seu património. Urge por isso, cada vez mais, criar e desenvolver um programa orientado para a salvaguarda, valorização e divulgação do património cultural de Alvalade, devidamente calendarizado, que contemple a escavação, estudo e musealização de algumas jazidas arqueológicas (por exemplo alguns testemunhos da ocupação romana na freguesia e a sua relação com Miróbriga como a villa da Ameira, o sítio Defesa III, ou outros considerados pelos técnicos/historiadores como mais interessantes), a requalificação do centro histórico, a musealização das alfaias do Posto de Culturas Regadas e a criação de um museu mais abrangente, que conte a evolução histórica e social da freguesia. O caminho é longo, mas só assim Alvalade terá argumentos de peso para integrar e tirar partido de um percurso desta valia e dimensão.
_LPR






FLV
2 mêss atrás
É uma excelente linha de investigação e um tema para a valorização de toda esta zona.
E devia-se tentar perceber porque existem tantas uillae agrícolas junto a Alvalade (que não existiria no tempo dos Romanos) e a alguma distancia de Miróbriga, junto a qual não existem (até agora) nenhumas identificadas.
admin
2 mêss atrás
Certamente que haverá uma ligação por explorar e valorizar entre as villae e outros sítios romanos de Alvalade com Miróbriga, que deve ter recebido boa parte das produções agricolas do território alvaladense quer para consumo quer para comércio. E Alvalade pode e deve tirar partido dessa ligação a Miróbriga através da escavação, estudo e musealização das estruturas de uma ou mais villas. Estou a lembrar-me da villa romana de Ameira, bem perto de Alvalade, que apenas está identificada. Ou do sítio Defesa III que deve ter sido uma villa muito importante, de onde se resgataram fragmentos de mosaico romano, colunas, bases de colunas, etc, elementos que indicam tratar-se de um sítio com imponência e de proprietário abastado. Há muito por fazer em Alvalade nesta matéria, desenvolvendo campanhas de escavações de Verão, protocolos com universidades, envolver a juventude nesses trabalhos, etc. Naturalmente que para isso será necessário criar uma equipa robusta de arqueologia no município, à semelhança do que hoje em dia acontece em grande parte dos concelhos que já integram estruturados gabinetes/secções de arqueologia. Se isso for assumido, seguramente que Alvalade e o concelho poderão tirar melhor partido do seu imenso património arqueológico, que vai muito além da cidade romana de Miróbriga.
_LPR
Ana Maria Santos
2 mêss atrás
Os concelhos do litoral alentejano têm um projecto só sobre o período romano, que parece ser uma excelente ideia se for mesmo para a frente porque vai destacar o que de melhor existe em cada concelho. Mas de facto deve haver ainda muito por descobrir e compreendo que Alvalade Sado queira posicionar-se melhor uma vez que pelo texto da Dra. Filomena parece existir uma relação das explorações agrícolas de Alvalade ao tempo dos romanos com Miróbriga, que é a grande joia da coroa do concelho de Santiago.
admin
2 mêss atrás
Evidentemente que se Alvalade quiser integrar essa tal rota do romano dos concelhos do Alentejo Litoral, terá necessáriamente que escavar e musealizar uma das suas villas ou sítios romanos. Até porque tanto quanto se sabe esse percurso visa aproveitar e rentabilizar melhor sítios como Miróbriga, as ruínas romanas de Tróia e outras estações arqueológicas importantes da região. Nesta altura, Alvalade não tem nenhuma estação ou jazida em escavação que lhe possa alimentar a esperança de um dia integrar essa rota do romano. Mas isso pode ainda ser feito, pelo município e pela freguesia, a meu ver desde que se consiga formar uma equipa, auxiliada depois por voluntários, estudantes em tempo de férias, alunos de universidades, etc, em campanhas de escavações durante o Verão. Só com um arqueólogo, será muito difícil.
_LPR
Filomena Barata
2 mêss atrás
Agradeço todos os comentários.
Parabéns, de novo, por este espaço, nesta versão muito melhorada.
admin
2 mêss atrás
Muito obrigado.
_LPR
JORGE SEVERINO
2 mêss atrás
A maior parte das pessoas da região pensam que só existem as ruinas de Miróbriga, mas os romanos estiveram em todo o litoral alentejano e isso tudo devia ser levantado e estudado como deve ser com o estado e as câmaras municipais a trabalharem em conjunto. J. Severino
admin
2 mêss atrás
Absolutamente de acordo.
_LPR
Jorge Feio
2 mêss atrás
Bom dia a todos (as)!
No local onde hoje se ergue a freguesia de Alvalade existiu um povoado secundário, muito provavelmente subsidiário da “ciuitas Mirobrigensis”. O estudo da ocupação romana e tardo-romana foi recentemente publicado nas actas do I Encontro de História e Arqueologia” do Alentejo Litoral.
De resto, desde já há alguns anos que venho afirmando que é necessário constituir uma equipa de especialistas que estude a ocupação romana em torno do rio Sado para melhor se perceber a dinâmica de ocupação do espaço na zona mais ocidental do antigo “conuentus Pacensis”. Por isso parece-me que esta proposta de percurso me parece muito boa.
Para além de tudo isto, informo que também a estação arqueológica do Monte do Roxo tem merecido alguma atenção, com a apresentação de comunicações em congressos de carácter nacional e internacional. Nesse sentido, poderei disponibilizar a todos os interessados os textos publicados em formato pdf via e-mail.
A quem quiser, o meu e-mail é: jorgefeio77@hotmail.com
Um abraço deste amigo de Alvalade,
Jorge Feio
Jorge Feio
2 mêss atrás
P. S.: Há pouco, quando me referi à “ocupação romana e tardo-romana” queria dizer “ocupação romana e tardo-romana em torno de Alvalade”.
Um abraço
admin
2 mêss atrás
Olá Jorge
Há muito que digo e acho que Alvalade tem uma mina por explorar no que toca à ocupação romana da freguesia. Os achados e as referências a sítios de interesse (muitos ou a maior parte referenciados por ti), são vastos e nalguns casos muito importantes, e a freguesia teria todo o interesse e muito a ganhar em potenciar esse nicho do seu património arqueológico, até pela ligação a Miróbriga.
Mas para isso é preciso que seja criada uma boa equipa que vá para o terreno inventariar, escavar, estudar e musealizar estruturas e património ainda por desvendar.
Era também uma forma de “alimentar” e garantir o interesse permanente do núcleo de arqueologia no futuro, com novas peças e novos materiais em exposição.
O potencial de Alvalade no período romano existe, é inquestionável, falta “apenas” que seja feito o respectivo aproveitamento.
_LPR
Ana Maria Santos
2 mêss atrás
Não tenho conhecimento de nenhuma villa romana que esteja visitável no concelho de Santiago e se em Alvalade Sado existem várias era de aproveitar uma ou outra. Na pesquisa que fiz sei que o mais perto onde existem villas que podem ser visitadas é em Ferreira e em Alcácer e até têm tido escavações ultimamente. Mas Miróbriga penso que será o expoente principal da nossa região.
admin
2 mêss atrás
Como alvaladense há muito que defendo que Alvalade deve aproveitar o seu patrimonio arqueológico, e ver escavada e estudada umas das villae do território alvaladense é um sonho antigo. É certo que quase todas elas, ou mesmo todas, estão situadas em terrenos e propriedades privadas e isso requer um trabalho de abordagem e negociações com os ditos proprietários. Mas lembro, por exemplo, que relativamente ao sítio Defesa III, o proprietário na altura mostrou-se disponível e permitia a escavação da jazida. Mas eram terrenos que não estavam incluídos na expropriação da REFER e como tal não podiam ser abrangidos pela escavação de emergência no âmbito dos trabalhos de requalificação da linha ferroviária do Sul.
Partilho, evidentemente, que seria importante e valorizaria Alvalade e o concelho se tivessemos uma villa escavada, musealizada e integrada num circuito relacionado com a época romana da região ou apenas concelhio.
_LPR
JORGE SEVERINO
4 semanas atrás
Hoje em dia há poucas verbas do estado para a cultura e em Santiago as ruínas de Miróbriga estão meio abandonadas, o que todos devemos lamentar porque é um local histórico muito importante na nossa região que puxa um certo tipo de turismo. Mas estou de acordo que tem que se puxar pelo turismo sem ser só em Santiago cidade, e como tal tem que haver mais projectos para fazer os turistas irem a outros locais do concelho porque existe potencial para isso ser feito. J. Severino