No decorrer dos séculos a arte de farinar o grão panificável passou por várias metamorfoses. Encontram-se ainda, por aqui, os trituradores da idade da pedra, a mola manuária, da idade dos metais e também a mola asinária, accionada por animais, geralmente burros-asinos. A invasão árabe trouxe-nos a utilização da força motriz hidráulica e do vento. No perímetro da freguesia de Alvalade, ainda a mesma área que era na época medieval, há notícia e vestígios de azenhas no rio Sado em Gaspeia, no Monte Branco, na Algêda, na Gamita e na Gamitinha, os três últimos ainda existentes. E na ribeira de Campilhas, a azenha do Crujo na Boavista. Moinhos de vento existiam na vila no local aonde está hoje um pavilhão pertencente ao Posto de Culturas Regadas, o moinho do Paneiro, sobranceiro à fonte do Pote, o moinho da Olhalva e outro no Monte Novo de Gaspeia. Em tempos idos, existiu nesta vila uma atafona, no local chamado “A Atafona” que era do lado aonde está a casa de Manuel Joaquim Garcia.
O texto acima pertence ao Padre Jorge de Oliveira, e reporta-se a uma época em que Alvalade ainda integrava Ermidas-Sado, que mais tarde se autonomizou como freguesia, e daí as referências aos moinhos de água ou azenhas da Gamita e da Gamitinha, assim como aos limites territoriais de Alvalade que até essa altura seriam praticamente os mesmos que já vinham da idade média. Do moinho de vento existente no local onde está actualmente o edifício-sede do Posto de Culturas Regadas resta apenas o topónimo “Largo Cerro do Moinho”. A Atafona (moinho cuja máquina era movida por animais ou por homens), raros no concelho segundo o estudo do molinólogo santiaguense José Matias (Moinhos de Vento do Concelho de Santiago do Cacém, edições Colibri, 2002), situava-se no enfiamento do edifício onde está a ourivesaria “Mirinha”, que esquina com a rua Dr. António Guerreiro Fernandes. Curiosa é a designação inédita para o moinho de vento da Fonte do Pote, assim conhecido (na imagem e cujas ruínas foram demolidas em Janeiro de 2004), mas que o Padre Jorge atribui o nome de ”moinho do Paneiro”, que até aqui era desconhecido. Relativamente aos moinhos de água, ou azenhas, o padre António Almada Pereira já as tinha mencionado, em 1758, no inquérito nacional promovido pelo reino, dando conta da sua existência nas ribeiras de S. Romão e do Roxo. Porém, o texto do padre Jorge traz novas informações sobre a localização destes engenhos e que podem ajudar a identificar eventuais vestígios que ainda possam subsistir, permitindo estudar e conhecer melhor o património moageiro de Alvalade e a sua evolução ao longo dos séculos.
_LPR






Ceu Bougron
1 mês atrás
Quando era pequena lembro-me de ouvir falar nestes moinhos pois o meu pai trabalhou neles. Penso que um destes moinhos pertenceu ao meu avô mas sou incapaz de dizer qual deles foi. Depois o meu pai trabalhou para o sr. Garcia na moagem como lhe chamavam. Tenho imensas recordações desses tempos. Mas dos moinhos não pois nessa altura o meu pai era muito jovem. Gostaria imenso de saber mais sobre estes moinhos.
Espero sinceramente que alguém de Alvalade tenha mais recordações deste periodo que se situa nos anos 1900.
Até breve e obrigado por tudo o que publicam