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Foral Manuelino de Alvalade

 

 

Advertência e descrição material
  
  
O texto ora transcrito corresponde à carta de foral outorgada pelo rei D. Manuel I à vila de Alvalade, em Santarém, a 20 de Setembro de 1510 e publicada na Câmara da mesma vila, em 26 de Setembro de 1515. Assinada pelo rei, foi subscrita por Fernão de Pina e rubricada pelo doutor Rui Boto, chanceler-mor, pertencentes à comissão manuelina nomeada para a reforma dos forais. 
O registo deste foral encontra-se no Livro dos forais novos da comarca de Entre-Tejo-e-Odiana,fls.36- 40 (IAN/TT, Leitura Nova, n.45). Nele se remete, desde a pena de armas e portagem até ao fim, para o registo do foral de Santiago do Cacém, feito no mesmo livro, fls. 37 - 40. Ambos os registos foram publicados por Luiz Fernando de Carvalho, Forais manuelinos do Reino de Portugal e do Algarve: Entre o Tejo e Odiana. Ed. do Autor, 1965. p. 57-58 e 43 - 47 , respectivamente. 
O presente exemplar pertence ao fundo da Ordem de Santiago (livro 67) que detinha o senhorio da Vila. 
Descrição material:
Suporte: Pergaminho. 
Estrutura: 20 fls. Paginação [4], 11, [5]. O texto do foral, que ocupa os dois cadernos do meio, apresenta foliação primitiva em numerais romanos. É composto por 4 cadernos (1 bínio, 1 quatérnio, 2 bínios), rodeados por duas úngulas, na metade inferior. 
Empaginação: 2 colunas no fl. 2, relativo à tabuada, e texto de página inteira em todos os outros fólios. O quadro de justificação mede entre 163 mm (fl. 4) e 185 mm de altura, e 130-132 mm de largura. O número de linhas varia entre 26 e 27, excepto nos fólios 1 (14) , 1v (28), 10-10v (22), 11-11v (25). 
A picotagem, vísivel apenas no fl. 2, foi feita na goteira, do recto para o verso. Ter-se-á utilizado tinta para o regramento e o lineamento. 
A escrita do foral é gótica caligráfica arredondada. Difere um pouco entre o fl. 9v (ao iniciar-se o capítulo relativo aos priviligiados), e o fl. 10v, nomeadamente no uso de algumas letras maiúsculas (S, A, D...). E, no fl. [12v], relativo ao termo de publicação do foral, o tipo de escrita é diverso, cursivo. Refira-se, na pontuação, o uso de traços inclinados, em geral seguidos de um, dois ou, mais raramente, três pontos. 
Quanto à ornamentação e rubricação, assinale-se: 
No fólio 1, as armas reais encimadas pela coroa aberta, sobre um fundo de céu azul e um plano de terra com ervas, e entre duas esferas armilares sobre fundo carmesim e prata, ambas com a inscrição “1512" nas elípticas; por baixo, sobre fundo carmesim, capitais a prata com o nome do rei; rodeando o texto, cercadura parcial, com flores a verde e vermelho, botões de acácia a dourado e folhas verdes. Os números dos fólios, caldeirões, notas à margem e capitular, a vermelho e/ou azul. 
O foral tem vestígios de cordão de fio de seda entrançado carmesim e branco, de selo pendente de chumbo. 
A encadernação é inteira, de pele castanha escura sobre pastas de madeira, gravada com rodas e ferros soltos a seco; múltiplos filets enquadram uma cercadura realizada com pequenas placas quadradas com motivos geométricos, rectângulo central decorado com filets triplos em diagonal, formando losangos e triângulos com losangos de lados concâvos; cobertura interior descolada; três nervos em couro, fendidos, fixados com cavilha terminal; cadernos cosidos com fio único, em redondo em torno do nervo; corte aparado; cinco brochos simples de latão em cada plano. A encadernação apresenta orifícios feitos por insectos, cantos inferiores e tranchefilas especialmente danificadas, marcas de três brochos que faltam, entre os quais um umbílico; dos fechos, mantêm-se dois pregos no plano superior, e os colchetes machos no plano inferior. 
As medidas da encadernação são 292 x 203 mm, e dos fólios 277 x 195 mm.

Na transcrição que a seguir se apresenta, modernizada, destinada ao grande público, actualizou-se a ortografia, o uso de maiúsculas e minúsculas e introduziu-se pontuação apenas onde pareceu indispensável para facilitar a leitura.

Mantiveram-se os sinais, introduzindo-se apenas o hífen e o apóstrofo, a fim de facilitar a leitura.

Nesta versão indica-se a reconstituição de letras com [ ] e, quando tal não é possível, com [.].

Assinalam-se os entrelinhados com <>, e as leituras duvidosas com (?).


Ana Cannas da Cunha 
                                      Instituto dos Arquivos Nacionais / Torre do Tombo


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