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Património Arquitectónico Religioso

 

Edifícios Religiosos Desaparecidos

 

Igreja de Santa Maria do Roxo
A igreja de Santa Maria do Roxo terá sido construída pela Ordem de Santiago, em terreno muito próximo do actual monte do Roxo, provavelmente nos finais do século 15 ou inícios do século 16.
Em meados do século 16, os espatários estabeleceram um curato no templo sob a responsabilidade de um clérigo da Ordem, afim de prestar assistência religiosa à população do norte do concelho de Alvalade.
Com uma só nave, tinha capela-mor abobadada e nervurada, dois altares laterais, cobertura em telha vã, um pequeno campanário, portal de cantaria, e uma galilé de quatro arcos.
Na frontaria ostentava uma estela de cantaria com a cruz da Ordem de Santiago.
Em 1890 um violento incêndio marca o início da sua decadência e desaparecimento.
Em meados do século passado o templo é demolido, e algumas cantarias - um fecho de abóbada, duas estelas com a cruz espatária, uma cancela visigótica, e uma lápide tumular -, foram colocadas no monte do Roxo, e pouco depois reutilizadas para "embelezar" a nova capela que o proprietário da herdade decidiu então construir.

 

Estela com a cruz espatária

Duas estelas com a cruz espatária oriundas da extinta Igreja do Roxo

 

 

Ermida de S. Sebastião

Ermida de S. Sebastião


Situada no termo da vila, nas proximidades do actual depósito de abastecimento de água, a primitiva ermida de S. Sebastião terá sido edificada no século 15.
Nos inícios do século 16 a ermida era constituída apenas por uma divisão, com um altar de taipa, que exibia uma pintura sobre madeira com a imagem de S. Sebastião. A única entrada do pequeno templo era antecedida por uma galilé.
A conservação da capelinha estava a cargo da câmara de Alvalade, responsabilidade que deve ter descurado, uma vez que em 1529, após uma inspecção da Ordem de Santiago, os espatários ordenam a sua demolição (provavelmente o estado degradado da ermida já não justificaria obras de conservação), e a construção no mesmo local de um novo templo em sua substituição. A nova ermida, que demorou em ficar concluída, passou a ter câmara e capela-mor abobadada, ...he uma imagem nova he muito boa de vulto de Sam Sebastiam.
Porém, o terramoto de 1755 viria a provocar a derrocada da ermida. Os poucos meios da paróquia não permitiram a sua recuperação e o templo foi votado ao abandono, acabando as suas ruínas por serem demolidas no segundo terço do século passado.


Pia de água benta da Ermida de S. Sebastião

 

Pia de água benta da Ermida de S. Sebastião 

 

 

Ermida de S. Pedro
Não uma mas duas terão sido as ermidas outrora existentes no concelho de Alvalade dedicadas ao Príncipe dos Apóstolos. A ermida primitiva, segundo o que o Pe. Jorge de Oliveira terá constatado em documentação consultada, situava-se numa courela existente entre o Pasmo e a herdade da Defesa, e os seus alicerces ainda eram conhecidos nos finais do século 17. A segunda ermida dedicada a S. Pedro foi edificada nos finais do século 15 ou princípios do século 16, no termo da vila, no terreno onde hoje está o cemitério. Em 1510, quando foi inspeccionada pela Ordem de Santiago, a ermida resumia-se a uma única divisão, feita de taipa, com cobertura em telha vã, e no interior tinha apenas uma imagem de S. Pedro, muito pequena ...e mui mall feita em cima de duas estacas de madeira que improvisavam um altar. O pequeno e desprovido templo nem porta tinha. Em 1525 a Ordem de Santiago autoriza a câmara de Alvalade a ...lançar taixa ao povo do concelho ...pera o coregimento da dicta irmida. Porém, em 1533 os inspectores espatários constatam que a pequena capelinha tinha entretanto caído e sido novamente levantada. Verificando que a confraria de S. Pedro possuía uma herdade na várzea (de Campilhas) em frente da ermida, a Ordem determina que com o rendimento da terra se coloque uma nova imagem do santo no templo, assim como se façam no edifício as obras que se entenderem necessárias.
Em 1758, o prior de Alvalade, António Almada Pereira, no seu relatório, refere que a ermida está há muitos anos demolida.
Nos fins do século 18 as estruturas que restavam da capelinha desapareceram definitivamente, e em 1854, o terreno foi aproveitado para nele se construir o actual cemitério público de Alvalade.



Ermida de S. José
Pouco se conhece sobre a ermida rural dedicada a S. José, edificada em Gaspeia, em local próximo do Monte Novo. Presume-se que terá sido construída algures entre os finais do século 18 e o primeiro terço do século 19. No relatório de 1758 o prior de Alvalade não lhe faz qualquer referência. Provavelmente à data a ermida não teria ainda sido levantada. Não teve uma existência longa, uma vez que terá desaparecido nos finais do século 19. No local ainda é possível encontrar abundantes fragmentos de argamassas e de tijolos e algumas secções de cantaria.



Ermida do Espírito Santo
Localizada na Praça D. Manuel I (exactamente no local onde hoje está a residência dos "Ilidios") a ermida do Espírito Santo surge referida pela primeira vez na visitação efectuada pela Ordem de Santiago em 1565, aparecendo ligada ao antigo hospital do Espírito Santo. O pequeno inventário então efectuado é lavrado conjuntamente com os bens do hospital. No recheio do templo destacavam-se uma coroa de prata dourada com o Espírito Santo, um cálice de prata branca com patena, e duas vestimentas. Após a fundação da Santa Casa da Misericórdia de Alvalade, a ermida passaria para a sua jurisdição. Tal como nos restantes templos do concelho alvaladense, também o terramoto de 1755 provocou danos consideráveis na ermida do Espírito Santo, sendo reparada a expensas da Misericórdia, como refere o prior de Alvalade em 1758. Segundo Jorge de Oliveira a ermida e confraria do Espírito Santo tinham antigas tradições de beneficência locais, como por exemplo o bodo.
O último inventário dos bens da Santa Casa da Misericórdia, efectuado em 1860, menciona "...um casarão aonde foi a igreja do Espírito Santo", constatando-se assim, que nesta data o edifício já não teria culto.


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