Adicione aos seus favoritos Definir como sua página de entrada (apenas Microsoft Internet Explorer) Contacto

                                
 
Alvalade - Onde fica História local Patrimónios Turismo Informações úteis Galeria de imagens Seleccione o tema sobre o qual pretende saber mais

 

 

 

 

      Links

      Pesquisa

      Mailing list

      FAQ

      Mapa do Sítio


Património Arqueológico



Sítios, construções e espólios encontrados...

Epigrafia Romana de Alvalade
(Conventus Pacensis)
 
 
Em Setembro e Outubro de 1979, os arqueólogos Clementino Amaro e Manuel Rosivelt dos Santos Barreto efectuávam sondagens arqueológicas na villa de Figueira-de-Ametade, Conqueiros, quando foram alertados pelos trabalhadores rurais da herdade para um achado, feito ocasionalmente durante a preparação dos terrenos para o cultivo de arroz. Sensívelmente a cerca de 200 metros da villa, verificaram a existência de uma necrópole, de cronologia romana, de onde os arqueólogos e Luis Martins Silva do extinto Grupo de Acção Cultural da Casa do Povo resgataram três estelas funerárias, com inscrições, que seriam posteriormente depositadas na Casa do Povo de Alvalade.
Em 1984, José d´Encarnação, insigne Historiador e Epigrafista detentor de um notável percurso dedicado à arqueologia nacional e ao ensino universitário na academia de Coimbra, fez o estudo epigráfico das três estelas que incluiu na sua vetusta obra, “Inscrições Romanas do Conventus Pacensis” (Coimbra, 1984), publicação de referência para o estudo da epigrafia romana do Sul de Portugal. Mais tarde, em 1992, este laborioso académico retoma, com novos contributos, o estudo e a interpretação da epigrafia mirobrigense, voltando também a, reapreciar as inscrições de duas das estelas romanas provenientes de Conqueiros (IRCP 153 e 173), deslocando-se propositadamente a Alvalade para as analisar directamente, e cujo estudo publicou depois no “Ficheiro Epigráfico”, separata 35 (1996), suplemento que dirige, da Revista Conimbriga, e que a seguir transcrevemos. No fim , incluímos a leitura da estela 161, igualmente inventariada e estudada pelo historiador, em IRCP.


 
 
Estelas Funerárias de Conqueiros
 
Inscrições Romanas do Conventus Pacensis
 
José d’ Encarnação


IRCP 153
 
Tive o ensejo de observar, a 9 de Abril de 1992, a estela de que só obtivera conhecimento através da comunicação (inédita) de Santos Barreto e Clementino Amaro (1980). Encontrava-se, então, no Clube de Património da Escola C+S de Alvalade-Sado, identificada sob o nº CONQ.01.4. Podem completar-se e corrigir-se, agora, os dados que publiquei em 1984.
Trata-se, na verdade, de uma estela de topo triangular (não inteiro já, como se pode ver pela foto 1), de xisto com pátina acinzentada. Arestas laterais direitas. Campo epigráfico alisado, não delimitado, deteriorado aqui e além pelos sulcos da relha do arado.
 
Dimensões: 68,7 x 44 x 8
 
MV[N]IA . BROCINA / ARCONIS . F(ilia) . A(norum) . XXXV(quinque et triginta) .
/ H (ic) . S(ita) . [E(st)] . S(it) . T(ibi) . T(erra) . L(evis) .
 
 
Versão portuguesa:
 
             Aqui Jaz Múnia Brocina, filha de Arcão, de trinta e cinco anos.
             Que a terra te seja leve.

 
 
Alt. Das letras: 1.1: 5,5; 1,2: 4,8/4,2; 1.3: 4,2. Espaços: 1: (19); 2 e 3: 0,5; 4: 34.

 

imagem imagem

 

Paginação cuidada – sente-se a presença prévia de linhas de pauta – com alinhamento à esquerda. Pontuação correcta, de pontos circulares bem a meio da linha. Caracteres actuários: B assimétrico; R desenhado a partir de um P; O ovalado; S vertical e bem simétrico; T de barras amplas, rectilíneas.

A principal dificuldade de leitura residia no nomen da defunta, particularmente afectado por dois sulcos. Creio, porém, atendendo às dimensões dos outros NN do texto, que há espaço para um N antes do I, que se me afigura inteiramente isolado; o M inicial é claro (de resto, já fora lido como tal pelos primeiros editores).

Teremos, assim, Munia em vez de Aunia. Deste nomen registar-se-ão, na Península Ibérica – dando crédito aos índices do CIL II (p.1068) e de ILER (p.723) -, apenas testemunhos (cinco ?) com a grafia de Munnius. No entanto, a ocorrência de um só N também se assinalaria em Lisboa, no patronímico Munnii (ILER 6376 = CIL II 264); mas a epígrafe carecerá de revisão; noutras paragens do mundo romano não será também frequente, se atendermos à circunstância de os índices de L’Année Epigraphique respeitantes aos anos de 1961 a 1980 (Lassière 1992, 149) somente aduzirem um exemplo garantido: AE 1973 604. De origem latina, o gentilício recebeu, aqui, uma adaptação indígena e, por consequência, devido à forma como vem identificada. Brocina deverá incluir-se, portanto, entre as primeiras indígenas romanizadas do ager mirobrigensis.

A paleografia observada, o modo de identificação da defunta e a estrutura textual permitir-nos-ão recuar um pouco a datação anteriormente sugerida: optaria claramente pelos meados do século I da nossa era.

 

IRCP 173
 
No mesmo dia em que vi a epígrafe anterior, pude observar outra estela na Casa do Povo de Alvalade-Sado. Trata-se, de facto, de uma estela muito deteriorada, de que resta um pouco do campo epigrafado, alisado, também ele estragado por efeito de sucessivas passagens da relha aquando dos trabalhos de lavoura. Xisto grauváquico com muita pátina. Há um sulco horizontal acima dos primeiros vestígios de letras, que pode marcar o início do campo epigráfico.
 
 
                Dimensões: 73 x 36 x 14.
 
                     [...] VS [...] / [...] . F(ilius vel –ilia) [...] / [...] RV ++ I [...] / [...] H [?] . S
 
                     Alt. Das letras: 1.1: 3; 1.2:4,3;1.3:4,5 (+ = 2,2 I = 3); 1.4: S = 3,5.
                     Espaços: 1: 20 até ao sulco, 3,8 do sulco até à 1.1; 2 e 3: 2: 4: 3; 5: 26,5.

 

imagem imagem

 

Os caracteres subsistentes denotam uma certa cursividade, mormente o S, que é muito esguio e está muito inclinado para diante; F alongado, de barras curtas; V largo; + poderá ser equivalente a X, como acontece noutras estelas de xisto da mesma época, por exemplo em Reguengos (IRCP 424). Seria de esperar aí, na 1.3, a mensão da idade, sendo V a sigla de vixit e a haste que se segue ao I o começo do A de A(nnos); parece-me, no entanto, que, pelo formato da falha anterior ao V, se deve restituir aí um R.

Na última linha, seríamos tentados a reconstituir a habitual formula H(ic) S(itus). Mas, na verdade, com os poucos elementos disponíveis, nada mais se poderá adiantar acerca deste epitáfio, a não ser ser a sua existência e muito provável datação do século I da nossa era.

 

 

 IRCP 161

 

Proveniência: Figueira-de-Ametade, Conqueiros.

Museu Municipal de Santiago do Cacém

 

Estela funerária de grauvaque (?) de forma aproximadamente rectangular. Hesita-se em dizer se houve campo epigráfico ocupando toda a superficíe ou se o lapicida aproveitou apenas a parte lisa; efectivamente, a zona destinada ao texto apenas se encontra intacta na metade esquerda, dado que um importante bocado foi extraído desde o meio da 1.1 até ao canto inferior direito da derradeira linha – em oblíquo, portanto. A interpretação do texto depende, pois da opção que se fizer, porque a 1.1 não apresenta um nome completo nem mesmo uma abreviatura verosímil, porque a fractura da 1.3 atingiu o X – se considerarmos que toda a superficíe teria sido utilizada para o texto. São bem visíveis as linhas auxiliares.

                                                           

           Dimensões: 82.2 X 43 X 10

 

         [...?] COI [...] / LVCIL [...] / F (ilius, a) . AN (norum) . X […?] / H(ic) [S(itus,a) E (st)] .

 

     Versão portuguesa:

 

          Aqui jaz … filho(a)  de … de … anos

 

      Alt das letras: 1.1:4,5; 1.2: 4,5/5; 1.3: 5; 1.4:

                             H = 7, E = 6

      Espaços 1: ?; 2 a 4: 2; 5 = 21.

 

      Inédita.

 

Pela sua tipologia, a estela aparenta-se com as de Ourique e Aljustrel; o próprio formulário, pelo que se pode depreender, tem a simplicidade característica desses monumentos. A gravação é rude, pouco regular (veja o O); L (2) com pequeno traço. Pontuação feita através de pontos redondos bem colocados (1.3); os estragos da pedra impossibilitam saber se os haveria depois do H e do S.
Na 1.1, teremos um antropónimo (gentilício ? cognome ?); na 1.2, poder-se-á interpretar LVCIL ou LUCIL ... – cognome ou patronímico.


ir para a pagina de contacto » visitar o sitio do Webmaster » ir para a pagina do Adobe® Flash Player » imprimir pagina ir para o topo da pagina ^ retroceder <-