Os mais idosos certamente ainda se lembram de ouvir falar nas célebres assombrações do Padre Bernardo, muito badaladas em Alvalade nos finais do século 19 e na primeira metade do século 20. Segundo a tradição oral, eram frequentes as aparições nocturnas do fantasma do Padre Bernardo junto do velho portão do quintal do Mira e nas colunas de cantaria da entrada de uma courela na várzea do Sado, em frente da vila. Embora já pouco falada, a história ainda hoje povoa a memória das gerações alvaladenses mais idosas.
Para os mais cépticos, a assombração do Padre Bernardo não foi mais do que uma invenção para amedrontar e afastar alguns curiosos de certos locais habitualmente usados para encontros amorosos clandestinos. Porém, ao longo do tempo houveram muitos mais que garantiram e juraram ter mesmo visto o fantasma do Padre Bernardo no portão do quintal do Mira (demolido e desaparecido há menos de vinte anos), qual guardião de um espaço que embora já descaracterizado tem ainda muito por revelar pela sua localização e configuração particulares, e na entrada da courela acedida pelo caminho que vai desembocar entre a ponte seca e a ponte dos Arcos e que em tempos foi o acesso principal ao interior da vila, pela actual rua 23 de Agosto.
O Padre Bernardo António de Sousa, que oficiou na paróquia de Alvalade entre 1830 e 1876, ficaria ainda ligado à inauguração do cemitério público da freguesia, construído no cerrado de S. Pedro, em 1854, tendo sido o último sacerdote a residir no “Priorado”, uma espécie de casa de função situada na esquina entre a Rua de S. Pedro e o popularmente designado Bairro Danado ou Bairro de Campilhas.
_LPR
Ceu Bougron
2 de Maio de 2010 em 13:45
Sou uma barrigota fora de Alvalade e mais uma vez fico entusiasmada com este site . Vejo que ha imensa cultura na minha terra Vejo que as pessoas se interessam com a historia da nossa vila. Quando leio os vossos artigos tenho aprendido imenso mesmo se ha coisas que ja conhecia. Obrigado aos autores e espero que continuem pois podem crer dao uma alegria imensa aos que estao fora de casa
José António Falcão
22 de Fevereiro de 2014 em 9:25
Notável texto, este. Não deixarei de o associar aos meus estudos sobre a etnologia do nosso concelho.
Matilde Oliveira
22 de Fevereiro de 2014 em 9:54
Muito interessante esta lenda. Parabéns por todo este trabalho de divulgação!
Maria Antónia Rato Bica
27 de Junho de 2015 em 22:30
Gostei. O texto está muito bom. Para além do padre Bernardo também nos metiam medo em criança com a história da velha da corrente . Era uma maneira de nos controlar e de nos integrar na cultura existente.