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O “Zé do Telhado” de Alvalade

Estávamos no ano de 1935. Em Alvalade, uma boa parte da população tinha sido infectada pelas sezões (paludismo). Num velho casebre, Francisco Lúcio, a mulher e os quatro filhos agoniavam deitados no chão, em esteiras, ardendo de febre e famintos. Havia tempo que nada comiam… Joaquim Algarvio foi visitar a família, e saiu com a alma roída ao ver tanto sofrimento e miséria. Custou-lhe ver aquela família naquele estado, e isso não lhe saia da cabeça. Só pensava no que poderia fazer para ajudar aqueles desgraçados… Tanto pensou e deu voltas à cabeça que acabou por encontrar uma forma de os ajudar. Pela calada da noite abalou direito ao Monte Novo para roubar algumas galinhas. De volta à vila com o “saque”, levou umas quantas aos amigos esfomeados e doentes, e as restantes foi vendê-las ao tio Vieira. Com o dinheiro comprou remédios para a família do Francisco Lúcio. Mas, para sua infelicidade, foi descoberto e denunciado à GNR. No dia seguinte, o Joaquim Algarvio foi preso e levado a pé entre dois guardas a cavalo até Santiago. Ao fim de um mês de prisão, foi julgado. Depois de ouvir as testemunhas de acusação e de defesa, o juiz decidiu e declarou: “O réu roubou e vai ser condenado”. Na sala do tribunal, os seus algozes, que o denunciaram e foram testemunhas de acusação, soltaram um sorriso de satisfação como que dizendo “(…) vais apanhar uns bons anos e servirás de exemplo”.

O juiz continuou a ler a sentença… “(…) vai ser condenado a um mês de prisão. Felizmente já cumprida com a minha admiração pelo acto que praticou, lembrando o Zé do Telhado que roubava aos ricos para dar aos pobres. Vá em paz”.

 

             

_José do Rosário

10 Respostas a O “Zé do Telhado” de Alvalade

  1. admin Responder

    6 de Maio de 2010 em 11:59

    É também resgatando estes pequenos episódios que se defende e preserva a memória colectiva de um povo. A página está aberta e disponível para outras participações, de outros alvaladenses como o amigo José do Rosário, que tenham pequenas histórias e episódios relacionados com Alvalade e a sua vida, para nos contar.
    _LPR

  2. JORGE SEVERINO Responder

    6 de Maio de 2010 em 19:13

    A vida mudou muito e actualmente talvez já nenhum de nós era capaz de fazer o mesmo que o sr Joaquim Algarvio porque as pessoas antigamente eram mais bondosas e humildes. J. Severino

  3. José do Rosário Responder

    7 de Maio de 2010 em 17:03

    Estou de acordo com o J. Severino, quando diz: a vida mudou muito.. nenhum de nós era capaz de fazer o mesmo. A espécie humana trás ao nascer o bom e o mau. A educação e as agruras da vida é que são o motor que faz crescer qualquer delas. No caso falado, eram tempos de fome e de opressão, que faziam crescer a solidariedade e a amizade. Hoje a educação e o facilitismo… (direi virtual) torna os nossos filhos e netos mais materialistas, menos solidários e avessos às causas. Infelizmente para todos, este tipo de sociedade vai-nos levar a um beco com saídas estreitas!

    • admin Responder

      9 de Maio de 2010 em 10:41

      Subscrevo inteiramente as palavras do amigo José do Rosário. Infelizmente.
      _LPR

  4. Carla Martins Responder

    14 de Maio de 2010 em 11:20

    Bom dia
    De facto,estes temas não devem de forma alguma deixar de ser partilhados.
    Peço desculpa pela sinceridade, mas escolhi este “artigo” porque vi o nome do meu PAI.
    Utilizei-o para trabalhar com os meus alunos de 3º ano e acreditem que foi de um grande interesse para eles. A partir do texto explorámos a localização da vila de Alvalade e depois adaptei a matemática sempre com a história do “Zé do Telhado”, a Língua Portuguesa e todas as restantes áreas.
    Quero deixar esta partilha como forma de incentivo para continuarem o vosso trabalho porque na escola de Cabanas em Palmela existem muitos admiradores…
    Carla Martins

    • José Silva Santos Responder

      22 de Janeiro de 2016 em 16:48

      Zé gostei de ler o que escreveste eu desconhecia completamente esta situação passada na nossa terra eu como sabes vivia no concelho e não sabiamos destas situações mas era uma tristeza e os jovens de agora nem acreditam que havia estas situações mas esses homens desse tempo eram uns heróis o que sofriam e o que o ALGARVIO fêz foi um acto dum homem com H grande paz ás suas almas e fiquei triste com esta situação de pessoas que conheci obrigado e continua a falar de casos da nossa terra da qual tenho saudade. um abraço

  5. admin Responder

    14 de Maio de 2010 em 16:38

    É sempre estimulante sentir que o nosso esforço é apreciado e serve causas mais nobres, como no exemplo que a profª Carla refere.
    Muito obrigado, pela parte que me toca enquanto alvaladense, por divulgar um pouco da História de Alvalade na vossa escola.
    _LPR

  6. alfredo ribeiro Responder

    7 de Dezembro de 2010 em 1:59

    FOI COM GRANDE ENTUSIASMO QUE LI ESTE ARTIGO SOBRE JOSÉ DO TELHADO.
    ALEM DE ADMIRADOR DA HISTORIA DA SUA VIDA,TENHO O PRAZER DE TER PELO MENOS UMA FOTO DA SUA SEPULTURA,QUE EU VISITEI POR MAIS QUE UMA VEZ EM CACULAMA-MALANGE E QUE ESTAVA MUITO BEM TRATADA, LIMPA E CONSERVADA PELA POPULAÇÃO LOCAL QUE O ADORAVA COMO DE UM SANTO SE TRATA-SE.
    alfredo ribeiro

  7. admin Responder

    7 de Dezembro de 2010 em 9:18

    Concerteza, mas este é um “Zé do Telhado” local. Um exemplo ou semelhança de atitude com a figura de dimensão nacional que admira.
    _LPR

    • Alfredo Ribeiro Responder

      27 de Fevereiro de 2011 em 2:26

      O ZÉ do Telhado que refiro é o próprio que foi daqui deportado para angola e que foi morrer na região de Malange onde ainda esta a sua sepultura como disse muito estimada pelos locais

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