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Retábulo da igreja matriz publicado

retabulo2“Retábulos da Diocese” é o mais recente volume da coleção “Promontoria Monográfica – História da Arte”, numa edição conjunta do Departamento do Património Histórico e Artístico da Diocese de Beja e do Departamento de Artes e Humanidades da Faculdade de Ciências Humanas e Sociais da Universidade do Algarve. A publicação resulta de um estudo exaustivo e apurado dos reconhecidos académicos Francisco Lameira e José António Falcão sobre os retábulos da Diocese de Beja, e inclui também o retábulo principal da igreja matriz de Alvalade (na imagem), atribuído ao mestre entalhador Manuel João da Fonseca.

 

Alvalade (Santiago do Cacém). Retábulo principal, igreja matriz de Nossa Senhora da Conceição da Oliveira. Entalhe: século XVII (último quartel). Manuel João da Fonseca (?)

 

Ocupa a totalidade da parede testeira da capela-mor. Foi mandado executar pela fábrica da igreja no último quartel do século XVII. A feitura do risco e o entalhe podem ser atribuídos ao mestre entalhador Manuel João da Fonseca, com oficina aberta em Lisboa, mas muito activo no Baixo Alentejo – particularmente em Beja – entre 1676 e 1703. A tela, realizada ca. 1680 pelo pintor régio Bento Coelho da Silveira, pode fechar a boca da tribuna, sendo subida e descida mediante um sistema de roldanas.

Exemplar eucarístico, adopta a tipologia de corpo único e um tramo. Como especificidades, apontam-se o desajustamento que ocorre entre as mísulas e os painéis intermédios, incluindo o sacrário, e a acentuada largura da capela-mor, prolongando-se a ornamentação em talha pelas ilhargas do retábulo propriamente dito.

De madeira entalhada e dourada, apresenta planta em perspectiva côncava. É composto por embalsamento, corpo único, um tramo e ático. O frontal da mesa de altar e o seu enquadramento são também de talha. No banco surgem quatro mísulas, sobressaindo, ao centro, o sacrário delimitado por colunas torsas. O corpo é definido por dois pares de colunas, com sete espiras totalmente revestidas por racimos e pâmpanos, que enquadram o camarim monumental, preenchido com um trono piramidal. O entablamento restringe-se aos elementos arquitectónicos, definindo o ático dois arcos salomónicos concêntricos, cortados transversalmente por cinco aduelas. A ornamentação em talha prolonga-se pelas ilhargas, acompanhando os elementos compositivos do retábulo. De realçar que as portas de acesso ao camarim são emolduradas por pedraria. Encontra-se em razoável estado de conservação, tendo sido restaurado em 1955 pela “Casa Arte Cristã – J. Vieira da Fonseca”, de Braga (informação do Dr. Luis Pedro Ramos). 

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Reconhecimento da importância e do valor do património de Alvalade

A publicação do espectacular retábulo barroco do altar-mor da igreja matriz de Alvalade, pela mão de dois conhecidos historiadores e académicos de mérito, prestigia e dignifica o património Alvaladense. É também mais uma forma de reconhecimento do valor e importância cultural e patrimonial de um dos vários “tesouros” da matriz de Alvalade, que ocupa uma posição cimeira no concelho de Santiago e na região no segmento do património religioso, a justificar outro olhar e mais apoios para a conservação e salvaguarda daquele que é considerado o maior ex-libris do património histórico e cultural de Alvalade. Pela parte que nos toca, agradecemos daqui aos Doutores Francisco Lameira e José António Falcão, este gesto e atenção sobre o património de Alvalade.

 

_LPR

 

Artigo relacionado:  O painel de “”Nossa Senhora da Conceição da Oliveira” da Igreja Matriz de Alvalade

4 Respostas a Retábulo da igreja matriz publicado

  1. José Raposo Nobre Responder

    22 de Abril de 2013 em 15:05

    Excelente trabalho sobre a nossa Igreja e o seu valor histórico,onde mais uma vez houve a intervenção do Dr. José Antonio Falcão.
    Vou recordar um momento desagradável, o meu cunhado Eng. Garcia quando inaugurou a sua casa em Alvalade trouxe um grupo de amigos que com ele trabalharam na RDP e Câmara de Lisboa, um deles era apaixonado pela Arte Sacra e pela fotografia. Durante o almoço recomendei uma visita à Igreja. Fomos e a empregada não autorizou que se fotografasse o Altar-Mor por ordens do Paroco, no tempo o Padre Paulo.
    Concordo que não se autorize qualquer visitante desconhecido a fotografar, por motivos de segurança, mas na minha companhia e de meu cunhado certamente a segurança não estava em causa.
    Por falar em segurança recordo que a pedido do Padre Soares fotografei todos os quadros e imagens da Igreja para que, em caso de roubo e recuperação, a Paróquia pudesse provar a sua popriedade. Já informei o Padre Sales deste facto.
    JRN

    • admin Responder

      22 de Abril de 2013 em 15:46

      A zeladora da igreja tinha essa orientação que é ou era transmitida aos grupos de visitantes. Ou seja, fotografias dentro da igreja só com autorização do pároco. Já tive necessidade de fazer fotografias dentro da igreja e nunca tive problemas. Pedi directamente ao pároco e pude fotografar vários planos, com cuidado para não fazer imagens de uma ou outra peça em particular. No tempo do Padre Paulo do Carmo, pedi-lhe autorização e fiz várias fotografias para uso no “alvalade.info”. Sem qualquer problema. Acompanhei uma visita de grupo há uns anos organizada pela LASA – Liga dos Amigos de Santo André (associação já extinta) e também foi possível fazer algumas fotografias de planos gerais, dentro da igreja, já na vigência do Padre Dário. Mas reconheço que o assunto é sensível e que requer alguns cuidados por parte da paróquia.
      _LPR

  2. Manuel Neves (Lito) Responder

    22 de Abril de 2013 em 16:44

    Pensava que só não se devia fotografar qualquer casa de culto, durante as cerimónias liturgicas.
    Por onde tenho andado, nunca em qualquer parte alguém me impediu de fotografar uma igreja.
    Será que é normal que tal aconteça?
    Talvez o padre da nossa terra tenha uma explicação para tal.
    Por segurança, naturalmente, não será. Quantos milhões de fotos são tiradas anualmente, por exemplo na igreja dos Jerónimos, na Notre Dame, em Fátima, enfim em qualquer igreja mesmo que riquissima.

    • admin Responder

      22 de Abril de 2013 em 18:14

      Temos que entender estas cautelas da paróquia à luz de um surto preocupante de assaltos e roubos em igrejas da região. Felizmente esse problema tem sido minimizado e a igreja matriz de Alvalade foi dotada de alarmes e outras medidas de segurança, como já existem noutros edifícios com espólios de algum valor.
      Peço a vossa atenção e esforço no sentido de não sairem do tema dos artigos.
      _LPR

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