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Ruína dos Portões do Mira vai resistindo

p.mira1A coluna rodeada e “protegida” de silvas e canas (na fotografia) é o que resta dos Portões do Mira, em pleno vale do Sado, defronte para a vila de Alvalade. Até há meia dúzia de anos ainda era possível encontrar também a segunda coluna e alguma ferragem de suporte dos portões, muito badalados entre os finais do século 19 e meados do século passado. Eram a entrada para uma courela de um tal Mira, proprietário abastado natural de Azinheira de Barros, que lhe deu o nome, e que detinha ainda outros bens de vulto em Alvalade. Segundo a tradição oral, o sítio ficou conhecido pelas supostas aparições nocturnas do fantasma do Padre Bernardo, sacerdote que conquistou o respeito da população entre 1830 e 1866, período em que oficiou na paróquia de Alvalade. O local assombrado deu que falar entre os alvaladenses até meados do século passado e poucos eram os que se atreviam a aproximar-se dos portões durante a noite. Não sabemos se ainda é “visitado” pelo sacerdote, que continuaria a ser falado muito depois da sua morte, mas a coluna remanescente dos Portões do Mira representa uma página singular das memórias sociais da freguesia que justifica ser preservada e defendida. Em nome das ligações históricas entre as freguesias de Alvalade e Azinheira de Barros e da memória da família Mira Pinheiro, as duas autarquias decidiram unir-se, em Janeiro passado, num projecto conjunto de salvaguarda e valorização do último vestígio dos Portões do Mira, mas que até ao momento ainda não mostrou resultados no terreno. Pelo que é possível observar no local, a coluna carece de uma intervenção urgente de consolidação e recuperação, precedida de um estudo histórico-arqueológico, e cujo projecto inclua também a introdução de uma placa de sinalização e informação cultural.

_LPR

2 Respostas a Ruína dos Portões do Mira vai resistindo

  1. Luis Martins Silva Responder

    28 de Novembro de 2014 em 23:51

    Por vezes apetece-me ficar caladinho, no meu cantinho, à espera que os anos passem até que, um dia, se diga “já partiu”.
    Mas entendo que após isso vem o esquecimento e o alivio daqueles e daquelas que mercê dessa situação fiquem descansados sem que alguém os moleste.
    Mas tal situação de ostracismo e desinteresse pelos assuntos que nos dizem respeito, é difícil de aguentar. Daí que, não desejando magoar ninguém, entendo ter de intervir. E, neste caso, para alivio da minha consciência de alvaladense, devo dizer, que não ficava nada mal a limpeza do local, o arranjo urbanístico do mesmo e a tal placa que identificando o local, daria a informação aos mais novos. Atrevo-me a dizer que tal nem ficaria muito oneroso. Talvez custasse menos do que custa sensibilizar os responsáveis locais.
    Lms

  2. Vitor Miguel Responder

    11 de Setembro de 2015 em 16:14

    Pois é uma tristeza que ainda assim se encontre pois por parte do presidente da Junta de Freguesia da Azinheira dos barros há muito que já se tinham recuperado mas debate-se com a inercia da Junta de Freguesia de Alvalade e dos seus eleitos perante isto creio que muito pouco se pode fazer.

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