A poeira da estrada que vinha do Sul parecia nunca mais assentar. Manuel da Costa ajustou o capote de lã pesada sobre os ombros robustos, sentindo no rosto redondo o ar húmido que subia das margens do Tejo. Tinha o corpo grosso, talhado pelo trabalho…
Leia Mais
A poeira da estrada ainda nem assentara nas ruelas de Alvalade quando a notícia começou a correr de boca em boca. Nos campos onde a terra seca teimava em dar o sustento, as mãos calejadas pararam o trabalho. Os olhares, habitualmente pesados de resignação, ergueram-se…
Leia Mais
O Sol de final de tarde dourava a calçada inclinada, mas no passeio elevado defronte à taberna, a sombra já começava a estender-se. Claudino, conhecido por todos como o Quedas, limpava o balcão de madeira gasta com um pano encardido, enquanto o burburinho na rua…
Leia Mais
O sol de outono declinava no horizonte de Alvalade, tingindo o céu com tons de oiro e bronze antigo. A grande azáfama das colheitas chegara ao fim. Terminada a apanha do tomate, vindimadas as uvas em Conqueiros e recolhido o milho, a terra parecia suspirar…
Leia Mais
A geada fina de finais de novembro cobria o vale do Sado com um manto cinzento, mas no interior do Hospital do Espírito Santo, na rua Quente (actual rua da Cruz), o calor vinha do medo. O clérigo Estêvão da Frota, com as mãos trémulas,…
Leia Mais
O sol de outono dourava o piso rude da rua Quente (actual rua da Cruz), projetando sombras longas sobre a parede de taipa do Hospital do Espírito Santo. Sentado no poial de pedra, junto ao portal, Tristão Mendes, o mordomo da confraria e do hospital,…
Leia Mais
Quem percorre a cintura de Alvalade, depara-se com um cordão verdejante que teima em abrandar o tempo. São as hortas dos alvaladenses. Pequenos pedaços de chão, vigiados por canaviais, árvores de fruto e velhas oliveiras, que guardam uma tradição e herança com muitos séculos de…
Leia Mais
O calor de verão em Alvalade continua igual: pesado, lento, quase como se a própria terra estivesse cansada de carregar o sol. No entanto, falta-lhe aquele som, o eco vibrante que outrora definia estes meses. Quase perdidos na bruma dos anos, estão os dias em…
Leia Mais
Na Alvalade das idas décadas de 30, 40, 50 e 60, o relógio do trabalhador era o próprio sol, dividindo a rudeza dos dias em três momentos de pausa: o almoço, o jantar e a ceia. Ao romper da aurora, pelas oito ou nove badaladas…
Leia Mais
O meu tempo de garoto e adolescente teceu-se de silêncio, povoado por gente simples e almas humildes que a nossa vila aninhou, até que o sopro outonal as escondeu ou levou… Na quietude desses dias, temíamos a passagem do enigmático e velho Jordão, um maltês…
Leia Mais
Longe vão os tempos das noites infinitas nas ruas e nas tabernas de Alvalade quando se juntavam grupos de homens para desafiar a solidão dos dias. Ali, entregavam-se ao cante puro, um lamento sem o amparo de qualquer instrumento musical, que rasgava o breu da…
Leia Mais
Erguido no terreno sagrado e sob a influência das ruínas da ermida de São Sebastião, o velho depósito elevado de água ergue-se no cimo da vila como uma sentinela solitária… Uma torre de betão que rasga o céu dos dias, guardando nas suas entranhas o…
Leia Mais
A icónica Ponte dos Arcos ergue-se como um esqueleto de betão sobre o rio Sado, suspensa sobre o tempo. É testemunha, há mais de 70 anos, do vaivém constante da vida: o ranger das viaturas que a usam, o eco das partidas sem promessa e…
Leia Mais
A velha fonte da Bica, que tanta sede saciou, guarda memórias de um tempo que já não volta… Foi ponto de encontro onde o tilintar das bilhas de barro ditava o ritmo dos dias. Quem bebeu daquela água, ainda hoje guarda no peito a nostalgia…
Leia Mais
Quantas gerações aqui viveram e fizeram estas velhas ruas fervilhar de vida? Por aqui circularam homens de chapéu e mulheres de xaile, figuras que transportavam o peso dos dias com uma resiliência silenciosa. Eram tempos do “bom dia” à porta, e da preocupação e solidariedade…
Leia Mais
Ando por aqui há muitos anos… Nasci a escassos 15 metros do adro, quando ainda não tinha muro e o piso era de terra. Quando era um espaço de recreio improvisado, onde as crianças das imediações corriam, jogavam à bola ou inventavam as suas próprias…
Leia Mais
Quantos pães terão sido cozidos neste velho forno a lenha, que hoje jaz no Vale do Sado nas imediações da ORISUL? A boca escura do forno, agora fria, conta o peso do abandono. No entanto, tocando nas suas paredes de tijolo quase que se consegue…
Leia Mais
Pelas escadinhas do Cerro do Moinho subiram e desceram amores e desamores… Cada degrau guardava o eco de duas histórias distintas: a da subida, leve e cheia de expectativa, e a da descida, por vezes pesada pelo silêncio dos desencantos. Ali se cruzavam os que…
Leia Mais
As instalações da antiga ECA guardam muito mais do que o eco das máquinas ou o pó dos anos; elas guardam a história das famílias que ali nasceram. Quando olhamos para o que resta da fábrica não vemos apenas paredes e ferro, mas sim um…
Leia Mais
O nome da ladeira eternizou a alcunha do carismático taberneiro que, a meio da subida, servia copos de vinho e petiscos numa das portas mais concorridas da vila, no século passado. Até 1914, aquela rua inclinada foi a principal entrada da vila. Era também por…
Leia Mais
Comentários recentes