A icónica Ponte dos Arcos ergue-se como um esqueleto de betão sobre o rio Sado, suspensa sobre o tempo. É testemunha, há mais de 70 anos, do vaivém constante da vida: o ranger das viaturas que a usam, o eco das partidas sem promessa e…
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A velha fonte da Bica, que tanta sede saciou, guarda memórias de um tempo que já não volta… Foi ponto de encontro onde o tilintar das bilhas de barro ditava o ritmo dos dias. Quem bebeu daquela água, ainda hoje guarda no peito a nostalgia…
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Quantas gerações aqui viveram e fizeram estas velhas ruas fervilhar de vida? Por aqui circularam homens de chapéu e mulheres de xaile, figuras que transportavam o peso dos dias com uma resiliência silenciosa. Eram tempos do “bom dia” à porta, e da preocupação e solidariedade…
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Ando por aqui há muitos anos… Nasci a escassos 15 metros do adro, quando ainda não tinha muro e o piso era de terra. Quando era um espaço de recreio improvisado, onde as crianças das imediações corriam, jogavam à bola ou inventavam as suas próprias…
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Quantos pães terão sido cozidos neste velho forno a lenha, que hoje jaz no Vale do Sado nas imediações da ORISUL? A boca escura do forno, agora fria, conta o peso do abandono. No entanto, tocando nas suas paredes de tijolo quase que se consegue…
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Pelas escadinhas do Cerro do Moinho subiram e desceram amores e desamores… Cada degrau guardava o eco de duas histórias distintas: a da subida, leve e cheia de expectativa, e a da descida, por vezes pesada pelo silêncio dos desencantos. Ali se cruzavam os que…
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As instalações da antiga ECA guardam muito mais do que o eco das máquinas ou o pó dos anos; elas guardam a história das famílias que ali nasceram. Quando olhamos para o que resta da fábrica não vemos apenas paredes e ferro, mas sim um…
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O nome da ladeira eternizou a alcunha do carismático taberneiro que, a meio da subida, servia copos de vinho e petiscos numa das portas mais concorridas da vila, no século passado. Até 1914, aquela rua inclinada foi a principal entrada da vila. Era também por…
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O tanque de pedra calcária que repousa no largo da igreja foi pertença do antigo abegão António Mestre (séc. XX). Artífice alvaladense de mestria reconhecida na arte dos carros de tração animal, de charruas e outras alfaias agrícolas, com oficina no fim da rua Padre…
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O fumo negro da locomotiva dissipava-se no céu, mas a promessa de um mundo novo ficava retida nas paredes frias do velho armazém da Estação dos Caminhos de Ferro. Cada comboio trazia um pedaço do mundo moderno para Alvalade. Era ali que o progresso desembarcava,…
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Nas ruas antigas de Alvalade, o tempo por vezes parece caminhar mais devagar, guardando ecos de um passado que a modernidade teima em apagar. Entre o reboliço dos automóveis e a pressa dos transeuntes, há um som que hoje raramente se escuta… O som melódico…
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O edifício do largo da Estação dos Caminhos de Ferro de Alvalade, construído por um tal Luis Serrano no primeiro quartel do séc. XX, está em ruína avançada. Apesar da sua decadência, ainda conserva os traços altivos e característicos de uma antiga casa senhorial. As…
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Hoje, quem passa no local, mal consegue adivinhar que sob o manto verde e espinhoso da natureza brava repousam as ruínas dos balneários do desaparecido “Campo de Jogos Custódio Alves”, na periferia desta vila. A natureza reclama o espaço com uma calma cruel, cobrindo as…
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O silêncio que hoje habita o primeiro terço da rua da Cruz é um eco mudo de outros tempos, uma ausência pesada que esmaga o presente. Durante décadas, este chão foi o coração quente da vila. Aqui existiu uma casa de pão, bolos e de…
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Pela fonte baptismal quinhentista da igreja matriz de Alvalade, passaram incontáveis gerações que através dela abriram as suas vidas a Cristo. Esculpida na pedra e gasta pelo tempo, ela guarda a memória viva de uma comunidade que, ao longo dos séculos, encontrou neste local o…
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O silêncio que agora domina o local esconde o bulício de outros tempos… Onde hoje se ouve apenas o restolhar do vento no silvado que engoliu o monte, existiu outrora um posto de controle dos caudais da milenar ribeira de Campilhas. Cada subida e descida…
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O tempo parece suspenso no secular miradouro do adro da Igreja Matriz, sobre o vale de Campilhas… Ali, as horas passam devagar enquanto o sol se deita sobre a várzea. O horizonte, esse, estende-se sem fim, exactamente como os nossos antepassados o viram. Os campos…
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No novo Posto Médico de Alvalade, o tempo repousa em silêncio atrás do vidro límpido do antigo armário clínico colocado na entrada (em boa hora preservado)… Ali, sob a luz de uma manhã de primavera, alinham-se instrumentos e outros objectos clínicos do século passado, relíquias…
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Caminhar por estes corredores de silêncio não é um acto de solidão, mas um reencontro… Neste cemitério repousam os nossos antepassados, os mesmos que, com mãos calosas e passos firmes, desenharam o contorno das ruas da vila que hoje calcamos e semearam a identidade que…
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Foi a costura que unia as duas margens da ribeira de Campilhas e o mundo, através do comboio. Por cima dela passaram malas cheias de esperança, soldados a caminho da guerra, amantes em despedidas lacrimosas e as novidades ansiadas na vila. Depois, veio o silêncio.…
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