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Cemitério de Alvalade inaugurado há 160 anos

cemiterio_alvaladeCom a implantação do Liberalismo e em particular com as leis de reorganização da saúde pública, determinou-se que fossem criados cemitérios em todas as povoações e, em 28 de Setembro de 1844, foram proibidos os enterramentos nas igrejas, por razões sanitárias. A nova legislação foi muito contestada de norte a sul porque as populações das aldeias e vilas acreditavam que sepultar os seus mortos fora dos lugares sagrados era o mesmo que enviar a alma do defunto para o inferno… A prática do enterramento no interior das igrejas surgiu no século 12 e a localização das campas correspondia ao estatuto social do defunto, diminuindo de importância desde a capela-mor até à entrada do templo. No adro eram sepultados os pobres, os escravos, ou aqueles que pelo seu percurso de vida (ou pelas circunstâncias da morte) não eram dignos de repousar no interior das igrejas.

Até meados do século 19, os defuntos alvaladenses eram sepultados na igreja matriz e no adro (que era mais extenso do que o actual), e na igreja da Misericórdia e área circundante. A obrigação da criação de cemitérios decretada em 1835 e a proibição dos enterramentos nas igrejas em 1844, só teriam efeitos práticos em Alvalade em 1854, com a construção do cemitério público, como nos conta o Padre Jorge de Oliveira no texto que a seguir se transcreve:

O actual cemitério público foi construído por subscrição pública em 1854, num terreno chamado “Cerrado de S. Pedro”, porque o Príncipe dos Apóstolos tinha ali um cerrado aonde estava uma capela, sob a sua invocação, e que nesse tempo já não existia. Foi construído, por subscrição pública, visto terem sido proibidos os enterramentos nas igrejas. Foi benzido pelo pároco de então, o Padre Bernardo António de Sousa. Tem portão de madeira e duas janelas laterais com gradeamento de ferro e ao fundo uma pequena capela, com altar, servindo para as encomendações e depósito dos cadáveres. Lateralmente à capela, havia dois ossários, um dos quais foi aproveitado para nele se construir uma casa, com dois compartimentos, para arrecadação dos esquifes e ferramentas para o serviço do cemitério.

Este terreno ou “Cerradinho” pertencia às freiras filhas do Capitão Dr. Domingos Ribeiro de Lima (consta do Livro de Mordomia de S. Pedro) em 1763. Confrontava, pelo nascente, com a estrada que vai da Rua de S. Pedro; pelo poente, com terras do concelho desta vila; pelo norte, com o cerrado do Beneficiado Inácio da Costa Gonçalves; pelo Sul, com o cerrado das freiras que são filhas de Domingos Ribeiro de Lima.

Em 1942, juntou-se-lhe o restante terreno que ficava do lado Sul. Com a vedação e a terraplanagem, gastaram-se cerca de vinte e dois contos. Foi a parte agora adicionada, benzida pelo padre José Guerreiro Horta, pároco de Santiago do Cacém e interino de Alvalade. À frente de um cortejo formado pelas crianças das escolas, professores, crianças da catequese e catequistas, autoridades e povo.

O primeiro cadáver enterrado no terreno adicionado foi o de Isabel Batista Borges, de 74 anos, casada com o alfaiate Francisco Henriques, falecido em 18 de Julho.

Antes de 1854, os enterramentos eram feitos na igreja paroquial e no adro da mesma. Ainda hoje se vêm, no sobrado da igreja, os apainelados formados pelos taipais de madeira que indicavam os respectivos covais.

 

_LPR

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