A imagem transporta-nos para a antiga Travessa do Adro (atual Rua Padre Abel Varzim) no final dos anos 1950 ou alvorecer da década de 1960. Em primeiro plano, os rapazinhos de pés descalços — figurantes involuntários apanhados pela lente — personificam a austeridade da época e a extrema pobreza que então grassava pela vila. Ao fundo da célebre ruela, a carroça imobilizada aguardava, com toda a certeza, os cuidados e o arranjo na oficina do ferreiro e abegão António Mestre, mestre de mão cheia e ofício apurado, cuja oficina serviu a comunidade ao longo de décadas. Naquele instante preciso, a objetiva de um fotógrafo anónimo imortalizou um quadro social único e carregado de nostalgia, que continua a povoar a memória afetiva de tantos alvaladenses.
A relevância e a própria configuração urbanística da Rua Padre Abel Varzim afundam as suas raízes, com forte probabilidade, no período medieval. Durante séculos, esta ruela estratégica desempenhou um papel nevrálgico na malha urbana da vila, constituindo o eixo de ligação pedonal preferencial entre a icónica Praça D. Manuel I e o adro da Igreja Matriz — dois dos polos mais marcantes da vida cívica, religiosa e histórica de Alvalade.
_Luís Pedro Ramos
Nesta “travessa”, eu recordo-me que morava, do lado esquerdo, a prima Maria Adriana….e do lado direito os pais da minha tia Maria Luisa Costa, ou seja o sr. Fradinho, assim designado por ser filho dum frade. Aí criaram os filhos ao lado da casa q tbm chegou a ser residência do Padre Jorge de Oliveira e no primeiro andar residia o professor.
Um dos filhos do Sr. Fradinho era o Zé Fradinho que era enfermeiro (no tempo do Dr. Fernandes e da Dra. Graziela Páscoa Geraldo)…..a m tia M.a Luísa, por afinidade, pois casou c o meu tio Domingos Carvalho e são os pais do Mário de Carvalho. Lembro-me mt bem da casa com uns bonitos cântaros de cobre na entrada. Tinha uma enorme sala com janela e outra porta p a R. de Lisboa…..M.Dores