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A assistência pública

misasalvalaO começo da assistência pública em Alvalade, deve localizar-se no ano de 1570, em que foi instituída pelo povo desta freguesia, a (Santa Casa da) Misericórdia. O seu Estatuto e Compromisso era o mesmo das outras Misericórdias já existentes no país. Não conheço as circunstâncias que acompanharam a sua fundação, mas, certamente, influiu bastante, o exemplo de outras freguesias e haver aqui almas boas que propagaram e fizeram vingar tão generosa e caritativa ideia. Na parede (frontaria) da sua igreja está a data 1570, a da sua fundação, e no pavimento da capela-mor estava uma lápide de mármore cinzento, despolida, que dizia: “Sepultura de Fructuoso Pires que toda a sua fazenda deu de esmola com que se ordenou esta casa”. Está lápide foi recolhida na Igreja Matriz, onde está, junto à porta principal, visto o templo da Misericórdia ter sido secularizado. Foi retirada em Outubro de 1925. Não existe no Cartório da Igreja Paroquial, ou no Tombo da Freguesia, qualquer documento referente a esta instituição. Os livros e documentos devem estar no Cartório da Casa Pia de Beja, pois tendo sido extinta em 1861, os seus bens foram incorporados nos da referida Casa Pia. Consta-me também que alguns documentos estão em poder dos herdeiros do falecido notário em Messejana, Francisco Soares Victor, pois que a este senhor ouvi, por vezes, dizer que tinha o desejo de entregar a quem de direito todos os documentos que tinha sem seu poder, e referentes à freguesia de Alvalade. Assim se explica, a carência de documentos no Cartório e Tombo desta freguesia, que estando organizada desde o século XVII (?), deveria ter larga documentação. Da Misericórdia, apenas encontrei as referências dos Visitadores, que estão transcritas em outro local e uma cópia do inventário, feita em 1860, e que transcrevo em parte:

Bens da Misericórdia de Alvalade  (De um inventário feito em 1860, em posse de Francisco Soares Victor, notário em Messejana)

Bens Móveis

– Um Livro de Eleições, termos de mesa e algumas arrematações, que teve principio em 1698 (é o mais antigo deste inventário).

– Um Senhor Morto, um crucifixo, Santo Amaro e Nossa Senhora da Conceição.

Do Hospital – um colchão de lã, um enxergão velho, seis lençóis, um travesseiro velho, uma fronha velha, duas mantas de lã, um cobertor, duas cobertas de chita, um guarda-cama, dois pratos de estanho e uma tumba.

Pratas

– Um cálice, com patena e colher, lavrado, que se arma em custódia. Pesa, com os vidros, quatro marcos, três onças e cinco oitavas e meia.

– Uma coroa antiga, lavrada, que foi dourada, com o peso de treze onças e sete oitavos.”

Bens Imóveis – Prédios

– A Igreja, na Praça, com o quintal na retaguarda.

– Um casarão aonde foi a igreja do Espírito Santo.

– Uma morada de casas, na Rua da Cruz desta vila, que são três casas térreas, e servem de hospital: Partem do Nascente, com casas de Francisco António Aragão; pelo Norte, com a Rua da Cruz, pelo Sul, com a Rua das Estalagens; e pelo Poente, com a Estalagem de João Travassos.

– Um celeiro situado na Rua das Estalagens (actual Rua 31 de Maio), desta vila, que parte, do Nascente, com casas de Joaquim Pedro; pelo Norte, com casas de Francisco António Aragão; pelo Sul, com a Rua das Estalagens e pelo Poente, com o Hospital.

Foros

– Um prazo fateusim, que é uma courela, chamada dos “Asnos” nas várzeas desta Vila que consta de terras de semear. Parte do Nascente e Sul com o Pego Verde; Norte, com a estrada que vai para Santa Luzia; do Poente, com a estrada dos Coitos, pela qual paga José Vicente Serrano, morador em Grândola, o foro anual de quatro alqueires de trigo.

Estão mencionados neste inventário, 37 foros.

Está assinado por: Padre Bernardo António de Sousa, Provedor; José Vilhena de Matos Pereira, escrivão e André da Lança, tesoureiro.

Algumas Mesas da Misericórdia

1752

Provedor – Gaspar Nunes Lança

Escrivão – Beneficiado Inácio da Costa Godinho

Irmãos – Pedro Mestre; Manuelino Gonçalves; Florêncio Gonçalves; António Pinheiro; Pedro Lopes Pelaio e João Rodrigues

1754 

Provedor – António Parreira Correia

Escrivão – Timóteo Santiago de Matos

Irmãos – João Rodrigues Boto; Miguel Martins; Sebastião Fernandes; Alexandre Gonçalves; Pedro Lopes; José António de Oliveira; Luís Gonçalves Cordeiro e Manuel Pereira

Cirurgião – Francisco da Costa

Boticário – Isidoro da Fonseca

Barbeiro-sangrador – José António de Oliveira

1755 

Provedor – António Pereira Correia

Escrivão – Timóteo Santiago de Matos

Irmãos – Miguel Pereira; Miguel Martins; Pedro Lopes; Manuel Pereira; Alexandre Gonçalves; Sebastião Fernandes; Simão Rodrigues e António Lopes

1802 e 1810

Cirurgião do Partido da Câmara – Sebastião da Silva Guerreiro

Em 4 de Junho de 1861, por Alvará do Governo Civil de Beja, foi extinta a Misericórdia de Alvalade e os seus bens incorporados nos da Casa Pia de Beja com a condição de dar, anualmente, à Junta da Paróquia de Alvalade, a título de beneficência, a quantia de vinte e quatro mil réis.

_Apontamentos históricos do Padre Jorge de Oliveira (1865/1957), pároco de Alvalade entre 1908 e 1936, para uma monografia que não chegou a publicar.

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