
Em novembro de 1510, a Igreja de Santa Maria — atual Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição da Oliveira — possuía já a sua emblemática pia batismal em cantaria, de secção octogonal e traço ligeiramente torço. A peça surge identificada e registada na visitação espatária dirigida pessoalmente, à época, pelo Grão-Mestre da Ordem Militar de Santiago da Espada, D. Jorge de Lencastre.
O batistério viria a ser valorizado por força de um provimento da própria Ordem, datado de 4 de novembro de 1524, no qual se ordenava que se pintasse «(…) na parede o bautismo de Nosso Senhor asy como o vira pintado em semelhantes capelas com Sam Joham e o Espiritu Samto segundo se pinta nas outras igrejas o decto bautismo». A determinação foi cumprida e confirmada pela visitação de 1533, tendo-se-lhe acrescentado mais tarde, em data indeterminada, uma representação de São Sebastião na parede oriental.
Atualmente, estas pinturas murais já não se encontram visíveis, desconhecendo-se se foram irremediavelmente removidas ou apenas ocultadas sob sucessivas camadas de cal e reboco.
Entre 1510 e o momento desta fotografia medeiam mais de cinco séculos — um longo arco temporal no qual a fonte batismal quinhentista cumpriu nobremente a sua missão, abrindo as portas da fé cristã a sucessivas gerações de alvaladenses através do sacramento do Batismo, num dos recantos mais sagrados e simbólicos da memória de Alvalade.
_Luís Pedro Ramos
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