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A igreja de Nª Srª da Azinheira do Roxo

roxo1Na Herdade do Roxo, havia um templo de uma só nave, com sua capela-mor abobadada, sacristias e baptistério. Foi durante os séculos XVII, XVIII e parte do XIX, sede de uma freguesia – “Nossa Senhora da Conceição da Azinheira do Roxo”. Pertencia à Ordem Militar de Santiago, sendo o portal gótico, simples, encimado pela Cruz da Ordem. Teve na frente um grande alpendre e o adro, com alguns cruzeiros. Nele e na igreja eram feitos os enterramentos. O pároco e o ermitão, tinham residência independente, com forno e cavalariça. O pároco tinha uma terra que levava 3 alqueires de semente. Esta paróquia que foi instituída após o Concílio de Trento, foi extinta em 1835 e anexa à de Alvalade.

Em 1905 manifestou-se incêndio na mesma igreja, acabando ali o culto. O proprietário da Herdade apoderou-se de tudo, fazendo dos restos da igreja um barracão para serviços agrícolas. Tendo passado a outro dono, o actual proprietário, derrubou tudo e até a própria pia baptismal está servindo de reservatório para cal. O Ministério das Finanças instaurou processo de reivindicação de posse, pois os bens das Ordens Militares, em 1834, passaram para o Estado, mas parece ter havido composição (numa certidão passada pelo Padre Francisco Guerreiro Metelo, freire professo da Ordem de Santiago, capelão da Capela curadora de Nossa Senhora do Roxo, anexa à Matriz da Vila de Alvalade, declara-se que: “a dita capela não tem rendimentos para haver o que faltar para acabar de pagar a conta da despesa de ornamentos feita em 12 de Janeiro de 1725″).

Em 1943, o proprietário da Herdade do Roxo, Manuel Colaço Mendes, mandou derrubar os restos da igreja paroquial (de Santa Maria do Roxo) que ainda se compunha de nave, capela-mor, sacristia e baptistério aproveitando os materiais de construção para outras edificações no Monte. No tempo do antigo dono, José de Mascarenhas Pacheco, houve litígio entre a Fazenda Nacional, como possuidora dos bens da antiga Ordem Militar de Santiago e o referido Pacheco que se apossou da igreja e terreno adjacente. Fez testamento contemplando a Misericórdia de Santiago do Cacém, presumo que para compensação do que absorveu.

_Apontamentos históricos do Padre Jorge de Oliveira (1865/1957), pároco de Alvalade entre 1908 e 1936, para uma monografia que não chegou a publicar.

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