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A morte da tradição da caiação

travessa_da__figueira2“As casas, construídas de taipa e cobertas por telha de canudo, têm um único andar térreo, de chão de terra batida ou de tijolo. Comunicam com o exterior por uma porta de postigo, sendo na maioria desprovidas de janelas, tidas como um luxo, portanto desnecessárias; tanto mais que encarecem a construção. Tanto por dentro como por fora são caiadas, o que lhes dá um aspecto de limpeza que as distinguem favoravelmente das suas irmãs doutras regiões”.

A descrição acima, por António Luis Seixas Felix da Cruz, engenheiro agrónomo, é de 1941 e caracteriza a habitação alvaladense por esses tempos. Um retrato que se manteve quase inalterado ainda nas 4 décadas seguintes. A construção em taipa perdeu-se em Alvalade após a invenção do tijolo furado e do cimento. O uso da cal, enquanto revestimento, ainda vai resistindo na vila, muito pontualmente, mas as tintas plásticas já decretaram a morte da tradição… A substância branca que também já foi rainha em Alvalade na pintura interior e exterior das habitações, tem várias vantagens: é mais barata, mais higiénica, e torna as casas mais frescas perante as temperaturas altas do Verão. No Inverno, a cal, ou óxido de cálcio, como também é conhecida, tem igualmente virtudes comprovadas contra a humidade.

A brancura de Alvalade, entre habitações e edifícios históricos, é agora assegurada pelas tintas plásticas. Nalguns casos, com efeitos perversos e prejuízos há muito conhecidos. Com a morte da tradição da caiação, desaparece também uma página importante da herança cultural da freguesia.

_LPR

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