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“Na sede de freguesia (Alvalade) há uma associação de trabalhadores rurais denominada Sociedade Recreativa Alvaladense, fundada em 13 de Abril de 1933. Tem presentemente 161 sócios, a maioria dos quais trabalhadores rurais e seareiros. O presidente da direcção é pequeno agricultor, e o presidente da Assembleia Geral, ferroviário. Está instalada num edifício térreo com 5 divisões, uma delas bastante grande, que foi adaptada a sala de espectáculos e pagam cento e cinquenta escudos de renda mensal. Tem bilhar, mesa de ping-pong, uma biblioteca de poucos volumes e iluminação eléctrica fornecida por um pequeno motor. A quota é de dois escudos por mês. Tem como únicas finalidades instruir e distrair os sócios, afastando-os da taberna”.
O pequeno texto acima, datado de 1941 e da autoria de António Luís Seixas da Cruz, engenheiro agrónomo que passou pelo Posto de Culturas Regadas, descreve aquela que foi uma das primeiras colectividades de Alvalade e que durante vários anos preencheu os tempos livres da população com actividades de cultura e lazer como por exemplo teatro amador e cinema ambulante, entre outras. Os bailaricos ao fim-de-semana eram igualmente muito frequentados e apreciados.
Na Sociedade, existia também um rádio a bateria (raro na vila) através do qual sintonizavam e ouviam com muito interesse a emissora BBC Portugal, que permitiu acompanhar as notícias e o desenvolvimento da Segunda Guerra Mundial, numa época em que escasseavam os meios de comunicação social e o regime autoritário do Estado Novo controlava a informação.
A Sociedade Recreativa Alvaladense foi fundada e instalada inicialmente no edifício existente ao lado da Sanagro (actualmente pertencente aos herdeiros de Tomásia Ilhéu), tendo sido deslocada depois para um outro imóvel situado onde hoje está a Caixa de Crédito Agrícola Mútuo, na praça da República…
_Luís Pedro Ramos
Gostei muito que o Alvalade.info recordasse a Sociedade Recreativa Alvaladense. Foi aí que comecei a carreira de dirigente, mesmo sem ter a maioridade 21 anos, exigida pelos estatutos, isto porque o meu patrão, pai do Dr. Acácio, foi convidado para a Direcção, mas exigiu que eu também fizesse parte,tinha 18 anos,fui eleito Secretário.Tinhamos Teatro Amador, cujo ensaiador era o Chefe Monteiro, do C/ferro, entrei em várias peças com a D.Maria José Protásio e a D.Emilia Nascimento, mãe da Emilia Pereira Dias, além de outras pessoas.
Os Cinemas ambulantes exibiam na nossa Sala, dando uma percentagem de 20%. Um dia um desses ambulantes propôs trazer o filme “AMÁLIA, HISTÓRIA DE UMA CANTADEIRA” pagando a Sociedade 1.000 escudos (as percentagens eram na ordem dos 400/500 escudos) aceitei, contra a vontade da Direcção, fizemos mais de 2.000 escudos.Tinhamos um Rádio a Bateria, onde no tempo da 2ª Guerra Mundial se ouvia as Noticias da BBC de Londres, em Ondas Curtas, mas só eu sabia captar a Onda. Já contei estas histórias quando iniciei o m/Blogue Viver Alvalade. Uma rectificação, a Sociedade Recreativa foi fundada na Casa onde hoje vive a D. Tomásia Ilhéu, só mais tarde passou para o local onde hoje está o Crédito Agrícola.~
JRN