Alvaladenses na toponímia da vila…

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As ruas e largos da vila ostentam nomes de várias individualidades entre elas algumas que nunca mexeram um dedo por esta terra (algumas nunca sequer estiveram em Alvalade)… Enquanto isso acumulam-se destacados naturais da terra que pelos seus contributos e trabalho por Alvalade ao longo da sua vida, nunca foram reconhecidos, homenageados e muito menos obsequiados com o seu nome numa rua da vila, fazendo jus a um velho ditado local que diz que “Alvalade é boa mãe para os de fora e madrasta para os seus filhos“…

Eduardo Olímpio – poeta e distinto escritor neo-realista natural de Alvalade com vasta obra literária com dimensão nacional é um dos nossos principais embaixadores fora de portas. Há muito que merece o seu nome numa rua ou largo da vila;
Luís Martins da Silva – dedicou parte importante da sua vida a esta terra e a ele se devem todos os equipamentos sociais de Alvalade e a sobrevivência da Casa do Povo. Merece ter o seu nome, por exemplo, na rua onde residiu grande parte da sua vida;
José Raposo Nobre – comerciante e co-fundador do Cinema de Alvalade que administrou durante várias décadas contribuindo para o desenvolvimento cultural e social desta freguesia tendo sido também presidente da Câmara Municipal de Santiago do Cacém, autarca em Alvalade e destacado dirigente da Casa do Povo. Merece o seu nome no largo onde sempre viveu;
Acácio Cortes Cabrita – médico com consultório em Alvalade a quem dedicou toda a sua vida. Merece o seu nome na rua onde exerceu e tratou várias gerações de alvaladenses;
Augusto Deodato Guerreiro – académico de mérito, poeta e escritor alvaladense, nunca renegou e sempre enalteceu as suas raízes alvaladenses. Merece o seu nome numa rua da vila;
Francisco Mendes da Bica – foi presidente da junta de freguesia e esteve ligado a vários melhoramentos importantes na vila no século passado. Foi director e um dos principais obreiros da construção da sede da Casa do Povo, em 1964. Foi também um dinâmico director da Sociedade Recreativa Alvaladense. Merece que o seu nome seja reposto na rua que já o teve, ou seja na rua 1º de Maio, removido após o 25 de Abril;
António Saiote – pintor de mérito, natural de Alvalade, nunca esquece as suas raízes. Carrega o nome de Alvalade em todas as exposições do seu trabalho pictórico. É um dos grandes embaixadores desta terra e merece o seu nome numa rua da vila;
Luís da Lança Parreira – foi vereador destacado na câmara de Alvalade no séc. 19 e um dos mais activos e dinâmicos elementos da mesa da Santa Casa da Misericórdia de Alvalade. Teve a coragem de receber e acolher o deposto rei D. Miguel I na sua casa, quando parte do país o ostracizava. Por esse episódio foi perseguido pelos liberais e obrigado a sair de Alvalade, radicando-se em Messejana. Merece o seu nome numa rua da vila;
Frutuoso Pires – alvaladense que no séc. 16 deixou a sua fortuna encapelada à Igreja da Misericórdia, cuja construção custeou sozinho. Pelo seu altruísmo merece o seu nome numa rua da vila;
José Gonçalves (Zé Mata-Lobos) – a ele se deve a fundação e o nome da Mimosa, no início da última década de 60. Permitiu e facilitou a fixação de moradores naquele lugar através da venda e cedência de terrenos, numa altura em que a vila tinha algumas dificuldades em expandir-se. Merece amplamente o seu nome numa das ruas da Mimosa;
Andrade Rodrigues – destacado alvaladense e Procurador do Concelho de Alvalade em 1510 (cargo equivalente ao actual Presidente de Câmara), quando Alvalade recebeu o Foral Novo de D. Manuel I. Justifica o seu nome numa rua da vila.

Os alvaladenses obreiros e de mérito nesta terra não se resumem ao Padre Jorge de Oliveira, ao Francisco José Morais, ao Dr. António Guerreiro Fernandes e à Dra. Graziela Fernandes, que justamente foram homenageados e distinguidos com o seu nome na toponímia da vila, há mais de 30 anos…

Figuras históricas que não sendo alvaladenses, integram também as memórias e o património cultural imaterial da freguesia:
D. Miguel I – Foi o único rei que visitou Alvalade, embora já deposto, deixando a promessa que se algum dia voltasse a reinar faria de Alvalade uma terra próspera, como retribuição pela forma amável e acolhedora como os alvaladenses o receberam. A rua onde existia a casa que o acolheu, na última noite que dormiu em Portugal, deveria designar-se ‘Rua D. Miguel I’ e não rua 31 de Maio de 1834;
D. Sancho II – foi no seu reinado que Alvalade se libertou do jugo muçulmano tornando-a terra definitivamente portuguesa, em 1234. Justifica a sua inclusão na toponímia da vila;
D. Jorge de Lencastre – Grão-Mestre da Ordem Militar de Santiago e filho legitimado do Rei D. João II, visitou a comenda espatária de Alvalade em Novembro de 1510, durante 3 dias. Justifica a sua inclusão na toponímia da vila.

_Luís Pedro Ramos

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