Elementos manuelinos: Destacam-se a capela-mor, coberta por uma complexa abóbada de cruzaria de ogivas com requintada ornamentação vegetalista, o delicado portal principal em arco de carena e os capitéis lavrados no interior.
Campanha seiscentista: Centrou-se no grandioso retábulo de talha dourada e policromada da capela-mor — em estilo barroco nacional —, que integra uma tela atribuída a Bento Coelho da Silveira representando o orago do templo.
Outros destaques: Merecem referência os retábulos oitocentistas em talha dourada nas capelas laterais, uma representação do Calvário da escola maneirista de Évora, a fonte batismal em cantaria (possivelmente quinhentista) e o relógio de sol seiscentista na fachada, em pedra de Trigaches, tido como um dos melhores exemplares do Alentejo.
Igreja da Misericórdia – De filiação maneirista e com uma configuração arquitetónica invulgar no panorama das Misericórdias do Baixo Alentejo, a sua sobriedade e robustez permitiram-lhe resistir ao terramoto de 1755 sem danos de maior, ao contrário do sucedido nos demais edifícios civis e religiosos da vila. Com a extinção da Santa Casa da Misericórdia de Alvalade, em 1861, o templo perdeu a função de culto.
Interior: Destacam-se o arco triunfal de volta perfeita, a capela-mor — onde recentemente se identificou uma pintura mural a fresco — e a lápide sepulcral de Frutuoso Pires, benemérito da instituição.
Exterior: Sobressaem os robustos contrafortes em escorço, a platibanda vazada, a cúpula hemisférica com lanternim e o campanário que ainda conserva o sino original.
Fachada: Sobre o portal surge uma inscrição em latim abreviado cuja tradução direta é: “Bem-aventurados os misericordiosos, porque eles alcançarão misericórdia”. Uma pequena lápide sobre a entrada sugere que a conclusão do templo terá ocorrido em 1570.
Igreja de Santa Maria do Roxo – Edificada em terrenos próximos do atual monte do Roxo, provavelmente entre os finais do século XV e o início do século XVI. Em meados de Quinhentos, os cavaleiros espatários estabeleceram aí um curato a cargo de um clérigo da Ordem de Santiago, com o intuito de prestar assistência religiosa às populações do norte do concelho.
Arquitetura primitiva: Apresentava nave única, capela-mor abobadada e nervurada, dois altares laterais, cobertura em telha-vã, pequeno campanário, portal de cantaria e uma galilé de quatro arcos. Na fachada ostentava uma estela com a cruz da Ordem de Santiago.
Declínio e reutilização: Em 1890, um violento incêndio marcou o início da sua ruína. Demolida em meados do século XX, várias das suas peças em cantaria (um fecho de abóbada, duas estelas espatárias, uma cancela visigótica e uma lápide tumular) foram transferidas para o monte do Roxo, acabando por ser reutilizadas no ‘embelezamento’ de uma nova capela aí erguida pelo proprietário da herdade.
Ermida de São Roque – Durante séculos, a 16 de agosto, a população de Alvalade e das povoações vizinhas acorria em romaria às terras do Faial para venerar São Roque. A fundação da ermida remonta ao último terço do século XV, surgindo já documentada na visitação efetuada em novembro de 1510 sob a direção do Grão-Mestre da Ordem de Santiago, D. Jorge de Lencastre (filho legitimado de D. João II).
A visitação de 1510: Os visitadores encontraram um templo modesto, de nave única (4,95 m × 4 m), com paredes de taipa e um pequeno altar contendo a imagem do santo protector e um singelo retábulo de madeira.
Construção e conservação: O templo foi erguido por devoção de Mem Daver, proprietário da herdade do Faial. A sua conservação prosseguiu com os filhos, tendo o templo sofrido uma ligeira ampliação em data indeterminada.
A Restauração de 1687: Encontrando-se em ruínas, o prior Pedro Fialho promoveu uma profunda reconstrução financiada, em parte, pela cobrança de rendas em atraso da Confraria de São Roque. A reinauguração festiva ocorreu a 16 de agosto desse ano, devolvendo a devoção à comunidade.
Ermida de São Sebastião – Localizada nos limites da vila (próximo do atual depósito de água), a primitiva ermida data de finais do século XV ou inícios do século XVI. Era composta por uma única divisão antecedida por uma galilé, albergando um altar de taipa com uma pintura sobre madeira de São Sebastião.
Demolição e reconstrução: Devido ao estado de degradação e ao abandono por parte do concelho, a Ordem de Santiago determinou em 1529 a sua demolição e integral reconstrução. O novo templo passou a contar com nave, capela-mor abobadada e uma nova imagem de vulto do santo.
O fim do templo: Severamente danificada pelo terramoto de 1755 e sem recursos locais para a sua recuperação, a ermida caiu em abandono. As suas ruínas subsistiram até ao segundo terço do século XX, altura em que foram definitivamente demolidas.
Ermida de São Pedro – A memória histórica regista a existência de duas ermidas dedicadas ao Príncipe dos Apóstolos no concelho:
Primitiva Ermida: Situada entre o Pasmo e a herdade da Defesa, cujos alicerces ainda eram visíveis no final do século XVII.
Segunda Ermida: Construída no final do século XV ou inícios do século XVI no local onde hoje se situa o cemitério público.
Em 1510, a estrutura era extremamente simples: paredes de taipa, cobertura em telha-vã e sem porta. O seu altar improvisado sustentava apenas uma imagem tosca de São Pedro. Apesar de arruinada e reconstruída ao longo de Quinhentos pela Confraria de São Pedro e com apoios concelhios, no relatório paroquial de 1758 já figurava como destruída há largos anos. As ruínas remanescentes desapareceram no final do século XVIII, tendo o terreno sido reaproveitado em 1854 para a construção do cemitério municipal.
Ermida de São José – São escassas as informações sobre esta ermida rural edificada em Gaspeia, nas imediações do Monte Novo. Por não constar do relatório paroquial de 1758, admite-se que ainda não tivesse sido erguida a essa data. De existência efémera, terá desaparecido nos finais do século XIX. Até há poucas décadas, o local ainda preservava vestígios arqueológicos como restos de argamassa, tijolos e elementos de cantaria.
Capela do Espírito Santo – Localizada na atual Praça D. Manuel I (no local onde hoje se encontra a residência da família ‘Ilídios’), aparece documentada pela primeira vez na visitação de 1565 da Ordem de Santiago, associada ao antigo Hospital do Espírito Santo de fundação medieval.
Acervo e gestão: O recheio original incluía uma coroa de prata dourada e um cálice de prata com patena. Mais tarde, a capela e os seus bens transitaram para a tutela da Santa Casa da Misericórdia de Alvalade.
Tradição e extinção: Afetada pelo terramoto de 1755, foi reparada pela Misericórdia. Ficou historicamente associada a tradições locais de solidariedade, como o ritual do bodo. Um inventário de 1860 descrevia o imóvel já apenas como “um casarão aonde foi a igreja do Espírito Santo”, confirmando a perda anterior das suas funções religiosas.
_Luís Pedro Ramos
Muita coisa haveria a dizer sobre todas elas, a nossa igreja matriz foi construída em cima dum cemitério, depois mudou de lugar e foi um cemitério em cima da capela. Admirável. E onde foi repousar a coroa de prata dourada? O cálice de prata branca entre muitas outras coisas de Alvalade, diga-mos o seu património. INFORMAÇÃO muito importante para esta gente mais nova que se interesse pela riqueza que sempre teve a nossa terra.
Olá Rita,
A igreja não foi construída em cima de um cemitério… O que acontece é que durante muitos séculos os mortos eram enterrados nos adros das igrejas e no seu interior. Foi o que aconteceu ali na igreja matriz e no adro que incluía parte do chamado largo da igreja.