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A fotografia, que conta já com algumas décadas, resgata a imagem da Ponte de Ferro — denominação pela qual é carinhosamente conhecida entre os alvaladenses — num momento anterior à sua última grande intervenção de conservação. O restauro precedeu a sua desativação definitiva, que ocorreu na sequência da alteração do traçado da Linha Ferroviária do Sul.
A Ponte de Ferro, a Ponte dos Arcos, a Ponte Seca, a estrutura sobre a Ribeira de Campilhas, a antiga Ponte Romana, bem como os diversos viadutos e pontões da freguesia, desenham e marcam profundamente a identidade paisagística do território. Trata-se de um conjunto monumental com escala e interesse dignos de um roteiro próprio ou de um percurso pedestre temático orientado para a valorização deste segmento singular do património edificado alvaladense. De resto, nenhuma outra freguesia do concelho reúne tamanha profusão de pontes e viadutos…
Ao longo da história, estas infraestruturas foram determinantes para quebrar o isolamento secular a que a população esteve votada, sobretudo durante os invernos rigorosos. Nestas épocas, as violentas cheias nos vales do Sado e de Campilhas isolavam por completo a localidade, deixando a vila incomunicável ao longo de dias ou semanas. Hoje, estas pontes continuam a ser eixos vitais para o quotidiano da freguesia e da região, servindo de testemunho intemporal para compreender a forma como o território se expandiu e consolidou.
_Luís Pedro Ramos
De acordo com o valor das nossas Pontes, lamento que a Ponte dos Arcos não tenha uma placa identificando o projectista Engº Edgar Cardoso, um dos mais conceituados técnicos mundiais de Pontes, o que muito a iria valorizar, e que se justificava como homenagem, após o seu falecimento.
JRN
Sem elas, Alvalade seria seguramente nesta altura uma pequena aldeia em vias de extinção…
Copiei a frase acima por me parecer que é de uma actualidade que me merece aprofundar.
Quem conheceu, como eu, Alvalade na década de 60 e mesmo até meadas de 70 e comparar com a Alvalade actual depressa chegará a essa conclusão.
Alvalade como fixação de novos habitantes já não existe. Nascem poucas crianças e à medida que se fazem adultos são obrigados a ir embora. Os mais velhos vão morrendo e os que abalaram e pensavam regressar para passar a velhice na terra que os viu nascer, como reformados, vão desistindo. Porquê? Alvalade tinha nos anos 60, três médicos, hoje temos uma médica uma vez por semana. Temos um hospital a 41 quilómetros. Durante a noite se tivermos um problema de saúde é o diabo das complicações para nos deslocarmos aos sítios apropriados para sermos atendidos. Que se tornam quase impossíveis se não tivermos condições financeiras, para os custear. Os que sonhavam voltar à terra, estão a desistir. Alguns até arranjaram as casas que eram dos seus pais, com essa intenção. Elas estão aí, mas sem ninguém lá dentro. À medida que o tempo passa mais casas vão ficando vazias. Há quem aponte para os 50% o número de casas sem ninguém, lá dentro. Não vale a pena estar a falar no fecho da estação dos caminhos de ferro, da G.N.R, que quase não existe e na insegurança que isso provoca… Neste país, as terras que não têm votos para dar aos políticos quando há eleições,…..são simplesmente abandonadas.
Tenho um casal amigo que há 2 anos quis comprar casa em Alvalade para passar fins de semana ou férias mas as casas que estão em venda em Alvalade são extremamente caras e está quase a comprar no Cercal onde são mais em conta e estão mais perto de Milfontes. Até no Cercal as rendas de casas são mais em conta do que em Alvalade o que não se percebe a razão para tal.