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O Ciclone de 1941

casalancaparreira

Em 15 de Fevereiro de 1941, pelas 9 horas, desencadeou-se sobre toda esta região, um violento tufão. O vento terrível derrubava os transeuntes, arrebatava as crianças para longe e arrancava milhares de árvores: azinheiras, sobreiros, pinheiros, oliveiras e eucaliptos. Soprava de S.W. e arrebatou as telhas dos telhados, derrubando platibandas de algumas casas e algumas chaminés, levou a cobertura de fibro-cimento do pavilhão do Posto de Culturas Regadas, arrombou a porta principal da Igreja Matriz, partindo a tranca e devastou parte do telhado. Arruinou a frontaria da casa de José d’Aires, aonde pernoitou D. Miguel I, quando em 31 de Maio de 1834 foi para o exílio. Derrubou a platibanda da casa da Pensão Guerreiro (na Rua da Cruz), fazendo também estragos nos caminhos-de-ferro. Os postes telefónicos e telegráficos foram também derrubados; parte do arvoredo caiu sobre a linha férrea, o que impediu, por perto de 10 dias, o transito ferroviário e as comunicações telegráficas e telefónicas. Em Vale de Lobo, o ciclone derrubou um homem de 75 anos, que caindo sobre a lama, não se podendo levantar e ali morreu. Com o susto, também ali faleceu uma mulher de 85 anos, de Martilongo, enterrando-se ambos, no dia 17.

Tendo começado às 9 horas, teve o seu auge das 15 às 18 horas, declinando até às 22. O barómetro desceu o máximo da escala, só começando a subir pelas 18 horas, mas o vento continuou sempre muito forte. Caíram alguns pequenos aguaceiros e só no dia 17, a chuva se tornou mais pesada. Todos se mostraram oprimidos, porque, na verdade, foi um espectáculo terrível, nunca presenciado. São incalculáveis os prejuízos no arvoredo; as estradas e os caminhos estão intransitáveis, cheios de destroços. Na Estação dos Caminhos de Ferro, caiu a platibanda de uma mercearia que ali está, e caiu um pinheiro sobre o telhado do celeiro da Federação dos Produtores de Trigo.

_Apontamentos históricos do Padre Jorge de Oliveira (1865/1957), pároco de Alvalade entre 1908 e 1936, para uma monografia que não chegou a publicar. 

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