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Dignidade e autonomia

cemiterio2Com a proibição dos enterramentos nas igrejas e nos adros, devido ao odor exalado nos locais e ao risco de proliferação de doenças, decretada em meados do século XIX na sequência da vaga de reformas introduzidas pelo liberalismo, Alvalade acabaria por construir também o seu cemitério em campo aberto, em 1854, de acordo com a nova legislação, no cerrado de S. Pedro, terreno sagrado onde existiu uma ermida dedicada ao Príncipe dos Apóstolos, de construção anterior à época da outorga do foral novo de D. Manuel I.

Um século depois, concretamente em 1952, a junta de freguesia construiu uma casa de função para o coveiro residente e exclusivo de Alvalade e respectiva família, que ainda existe, nas imediações do espaço cemiterial, num terreno público outrora conhecido como o Curral do Concelho, que foi sendo sucessivamente ocupada e libertada de acordo com as substituições naturais que se foram verificando ao longo dos tempos no titular em exercício.

Desde 1854 até aos finais da primeira década  do século XXI, ou seja durante mais de cento e cinquenta anos, Alvalade teve sempre coveiro próprio e exclusivo para a freguesia.

Nos dias que correm, e sempre que morre algum alvaladense e é preciso depositá-lo na sua última morada terrena, a freguesia recorre às povoações vizinhas, pedinchando um coveiro emprestado durante algumas horas, por exemplo às freguesias de Ermidas ou Cercal, o que é já classificado/entendido como uma humilhação por uma franja cada vez maior da população que não compreende nem aceita a situação numa freguesia histórica como Alvalade. Compreendemos e partilhamos do mesmo sentimento de muitos dos nossos conterrâneos. Ermidas nem sequer tem um século de existência e durante muito tempo foi apenas um lugar da freguesia de Alvalade.

Alvalade, terra com um passado histórico de muitos séculos, que já foi cabeça de concelho, depender do enterrador de Ermidas para concretizar os funerais dos seus naturais, é um “atentado” contra a identidade e a autonomia da freguesia.

  

_LPR

 

 

* Está página não vai adoptar o novo acordo ortográfico nos seus conteúdos.

4 Respostas a Dignidade e autonomia

  1. Manuel F. Neves (Lito) Responder

    4 de Fevereiro de 2013 em 17:24

    Boa Tarde!
    A nossa freguesia não tem junta e Presidente de Junta?
    Se sim, o que anda ele a fazer que não resolve esse problema que até parece simples?
    Abraço, do;
    Lito

  2. Matilde Oliveira Responder

    4 de Fevereiro de 2013 em 19:00

    Maldita troika!

  3. José do Rosário Responder

    4 de Fevereiro de 2013 em 19:30

    Eu acho que o coveiro não deve fazer falta nos próximos tempos, já que o cemitério de Alvalade está quase sem terreno para mais covas.
    Não me admira nada, que num tempo não muito distante, os funerais das pessoas de Alvalade ….. tenham que ser feitos em Ermidas……
    Isto penso eu, caso não se tomem medidas para acrescentar o actual cemitério. O que também penso, não irá ser fácil!…..

  4. admin Responder

    6 de Fevereiro de 2013 em 10:48

    A questão do coveiro e da falta de capacidade do cemitério para receber novos enterramentos, quase esgotada, são questões de grande melindre que muito preocupam a população e cujos ecos têm chegado à nossa caixa de correio ou através de desabafos pessoais.
    Não acredito que alguma vez os alvaladenses permitissem que os seus entes queridos fossem sepultados em Ermidas por falta de espaço no cemitério de Alvalade. Seria o descalabro total! Nem quero imaginar sequer essa possibilidade!
    _LPR

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