O Carnaval em Alvalade, memória do séc. XX…

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1 Comentário

entrudoarquivoO Entrudo ou Carnaval — termos que para a maioria se fundem num mesmo sinónimo de folia, excessos e transgressões toleradas por esta época onde quase tudo se desculpa — tem raízes ancestrais na memória coletiva de Alvalade.

A vivência desta festividade na vila ficou perpetuada pelo olhar do Padre Jorge de Oliveira, que descreveu, de forma vívida, as tradições que durante décadas animaram a comunidade:
«(…) Depois de se ter organizado a Sociedade Recreativa de Alvalade, a Direcção desta Associação de recreio contrata grupos musicais e dá bailes na sua Sede nos dias de Carnaval. Na quarta-feira de cinzas, já fora da época carnavalesca, já de noite, um grupo de estúrdios empunhando archotes, organizam um simulacro de cortejo fúnebre, metendo defunto, sacerdote com acólito, levando este, um “doutor” (penico) com água e uma vassoura que serve para aspergir os circunstantes após uma saraivada de latinório burlesco. Param em vários pontos e aí é lido o testamento do finado que consiste numa enormidade de disparates, excelentes para desopilar o fígado… Termina a comédia nos olivais, aonde se enterra o defunto que é honrado com uma descarga dada por caçadores que em grupo acompanham esta tirada cómica».

Este registo, embora conciso, capta a essência de um Carnaval fortemente participado. Ao longo dos anos, as dinâmicas sociais trouxeram mudanças: os célebres bailes, inicialmente promovidos pela Sociedade Recreativa Alvaladense, transitaram mais tarde para a alçada da Casa do Povo. Por sua vez, o emblemático “Enterro do Entrudo” — que durante muito tempo se afirmou como o ponto alto e mais concorrido da folia na freguesia — resistiu até finais do século passado e inícios deste por carolice e empenho da mesma Casa do Povo, tendo acabado por desaparecer nos últimos anos devido à escassez de participantes.

_Luís Pedro Ramos

Uma Resposta a O Carnaval em Alvalade, memória do séc. XX…

  1. Mariana Neves Belchior Maurício   21 de Fevereiro de 2014 at 19:22

    O Povo de Alvalade sempre gostou de festejar o Carnaval.
    Além do baile na Sociedade, abrilhantado pelo José dos Reis.
    Lembro-me também de marchas carnavalescas feitas pelas jovens da terra, ainda hoje me lembram algumas cantigas as quais eram feitas pela próprias marchantes.
    Era sempre feito na 4ªfeira o enterro do Carnaval. Como é bom recordar.

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