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O desenvolvimento turístico de Alvalade 40 anos depois do 25 de Abril

fb3O desenvolvimento turístico de Alvalade, embora muito falado aqui e ali, parece longe dos principais desígnios da freguesia. Afinal, o que é que Alvalade tem nesta altura para oferecer e que justifique uma visita, 40 anos depois do 25 de Abril? Infelizmente pouco, e, presentemente, a freguesia não está em condições de integrar qualquer roteiro turístico regional nem sequer municipal. Não por falta de motivos de interesse, mas pelo estado em que eles se encontram. Se não vejamos:

– O museu de arqueologia que tem sido prometido para a igreja da Misericórdia é um projecto iniciado mas ainda falta muito para estar concluído. Na prática, não sabemos quando iremos ter museu, uma ideia e um projecto defendido desde os anos 80 do século passado.

– A Praça D. Manuel I, apesar de incluir alguns elementos de interesse patrimonial, está longe de poder ser apresentada como “cartaz turístico”, tal como o restante centro histórico que há mais de 20 anos aguarda uma intervenção profunda de requalificação e valorização. A requalificação da Praça D. Manuel I está prometida desde 1996.

– A igreja matriz, o ex-libris do património histórico da freguesia, carece de uma pintura geral e as barreiras do adro estão no estado lamentável que todos conhecemos. Uma situação que desprestigia a freguesia e o concelho, mas que a paróquia com os seus magros recursos não tem capacidade para resolver.

– A ponte romana, com um enquadramento paisagístico deslumbrante, tem um acesso parcialmente ladeado de barracas que transmite uma imagem degradante a qualquer visitante que pretenda conhecê-la.

– A Fonte e Lavadouro da Bica, um conjunto único no concelho e raro na região, com interesse patrimonial e também situado num local muito aprazível, tem igualmente uma envolvente que reclama por uma intervenção de requalificação, bem como a valorização do acesso a partir da travessa da Fonte.

– O aproveitamento do património natural continua também adiado. Não existem percursos pedestres definidos/marcados nem pontos de observação da natureza. Que bem podiam integrar algumas jazidas arqueológicas ao longo da freguesia, mas também essas estão abandonadas embora sejam um recurso alvaladense importante cujo potencial ainda é desconhecido. Precisariam ser inventariadas, de escavações e estudos sistemáticos e aferir se alguma delas reúne condições para um projecto de musealização in situ, como já acontece em várias regiões do país. Sem isso, nenhuma delas pode ser aproveitada e integrada em qualquer roteiro/percurso na freguesia.

– O Hotel Rural da Daroeira encerrou, apesar do seu enorme potencial e dispondo de uma barragem e de uma pista de aviação privadas, um caso muito raro entre o turismo rural nacional. Era a única unidade hoteleira existente na freguesia.

– O Posto de Turismo na Mimosa, criado pela câmara municipal para servir uma das principais portas de entrada no concelho através do IC1,  foi encerrado há vários anos. Na freguesia não existe qualquer espaço de acolhimento para visitantes/turistas e com capacidade para organizar uma visita guiada.

– Não existem quaisquer roteiros definidos para a freguesia, para além de alguma informação avulsa nos materiais de divulgação turística do concelho.

– O próprio Cinema de Alvalade, mesmo não sendo um equipamento de natureza turística tinha condições para ser dinamizado culturalmente com teatro, concertos, cinema, exposições, etc, e constituir-se como um pólo dinamizador da freguesia com capacidade para atrair públicos das redondezas que acabariam também por dar mais vida à vila. Mas fechado há 30 anos, não serve nenhum objectivo.

– As duas feiras tradicionais da freguesia estão moribundas e à espera de um projecto que as recupere e lhes dê a importância que já tiveram.

Em suma, nesta altura, o único motivo de interesse turístico da freguesia resume-se ao evento “Alvalade Medieval”, que dura um fim-de-semana por ano. Nada mais do que isso. Os demais motivos de interesse existentes na freguesia estão descuidados ou desaproveitados e não dignificam uma visita.

Ninguém de bom senso duvidará que nestes 40 anos depois da revolução dos cravos existiram outras prioridades para Alvalade, nomeadamente na área da habitação, saneamento básico, arruamentos, entre outras directamente relacionadas com a qualidade de vida da população. E muito foi feito para resolver essas necessidades mais urgentes. Noutras matérias importantes, do nosso ponto de vista, como é o caso do desenvolvimento turístico de Alvalade, o balanço destes 40 anos de democracia diz-nos que o caminho a percorrer é ainda muito longo. Está muito ou quase tudo por fazer. E para isso, basta um olhar diferente e investimento a sério nas potencialidades e recursos da freguesia.

_LPR

Uma Resposta a O desenvolvimento turístico de Alvalade 40 anos depois do 25 de Abril

  1. Matilde Oliveira Responder

    25 de Abril de 2014 em 12:31

    E Alvalade é uma vila tão bonita e com muitas coisas interessantes.

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