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Os Priores de Alvalade (1604-1699)

Até à instauração da República em 5 de Outubro de 1910, eram as paróquias do Reino que procediam à importante tarefa de registo da população, nos momentos mais importantes das suas vidas e aos quais acorriam à intervenção do respetivo pároco, ou seja, eram as paróquias que registavam os batismos, casamentos e óbitos dos seus fregueses ou de todos aqueles que ocasionalmente podiam viver ou atravessar os seus territórios.

Será após um importante movimento da sociedade civil que nasce o Registo Civil, através da promulgação do Decreto do Governo nº 41, de 20 de Fevereiro de 1911. Assim, a partir dessa data as Igrejas Paroquiais são obrigadas a depositar nas repartições do Registo Civil todos os livros do Registo Paroquial que possuíssem.

No caso da Paróquia de Alvalade, tutelada pelos párocos de Igreja de Nossa Senhora da Oliveira, os Registos Paroquiais iniciaram-se em 1604 e terminaram em Fevereiro de 1911. Contudo, existem algumas interrupções, pois desapareceu, pelo menos, um livro de registo misto, que compreende o intervalo de tempo: nos Batismos entre 1625-1645; nos casamentos entre 1624-1644; e nos óbitos entre 1623-1643.

É através destes importantes livros que temos acesso a muita da vida de Alvalade e das suas gentes, mas também de quem os guiava espiritualmente. No século XVII é possível concluir que a paróquia de Alvalade era assistida por um prior e um número variável de padres beneficiados, em alguns períodos é claro que os padres beneficiados estavam de passagem, pelo que a permanência na paróquia era muito variável.

Entre 1604 e 1699 encontramos 13 priores em Alvalade: António Simão, Diogo Rodrigues, Gaspar da Palma Alistão, Pero Nunes, José Vaz Ferreira, Sebastião Fogaça, Salvador da Costa, Francisco Rodrigues de Abreu, António Rodrigues (1), António Boto, Antonius Rodericus ou António Rodrigues (2), Pedro Fialho e João Vaz Pixeiro.

Desta lista temos dois priores com uma importante longevidade no cargo, falamos dos padres Pedro Fialho e João Vaz Picheiro. Por outro lado, priores houve que estiveram na função apenas um ano, como Pero Nunes ou António Rodrigues 1.

Claro que destes priores não conhecemos todas as suas histórias ou mesmo as circunstâncias que os tornaram priores da Igreja de Nossa Senhora da Conceição da Oliveira, contudo gostaríamos de realçar alguns destes padres.

O primeiro prior que conhecemos foi António Simão. Este prior deveria orientar as almas Alvaladenses desde o fim do século XVI, tendo falecido em 24 de Novembro de 1604, poucos meses após ter-se iniciado o registo das populações.

Durante 12 anos Gaspar da Palma Alistão esteve à frente da Paróquia de Alvalade (1609-1621), sendo o seu último assento de Maio desse ano. Durante cerca de cinco meses não encontramos qualquer registo no livro paroquial, mas sem dúvida que o acompanhamento espiritual das populações estava a cargo dos padres beneficiados. O novo prior surgirá em Outubro desse ano, Pero Nunes, que em janeiro de 1622 foi substituído pelo padre José Vaz Ferreira, cuja duração do priorado desconhecemos, pois como já foi dito desapareceu o livro de registos do período compreendido entre 1625-1645.

Em 1645 e nos oito anos seguintes será Francisco Rodrigues de Abreu o prior de Alvalade. Seria este prior provavelmente natural do concelho, ou a ele tinha ligações familiares, uma vez que foi encontrado nos registos paroquiais, como testemunha, outro indivíduo deste sobrenome.

A situação mais curiosa é a de António Rodrigues (o segundo do nome) que assinava, no início do seu priorado, como Antonius Rodericus, ou seja, assinava em latim, como em latim escreveu os seus primeiros assentos no livro paroquial. Este prior chefiou a Igreja Matriz durante 6 anos, de 1665 até à sua morte em 20 de março de 1671, tendo sido sepultado na Capela-mor da Matriz.

De entre os registos existentes, o prior Pedro Fialho terá sido aquele que mais anos esteve na função, pois foi pároco de Alvalade entre 1671 e a sua morte a 17 de maio de 1694, num total de 23 anos. A longevidade deste priorado indica também que este padre deveria ser filho do concelho ou pelo menos de algum dos concelhos vizinhos, provavelmente com interesses patrimoniais no território de Alvalade.

O Padre Fialho é substituído por um novo prior, João Vaz Pixeiro, que com esta nomeação é promovido de Padre Beneficiado a Prior da Matriz de Alvalade. No total esteve ao serviço das populações 20 anos, de 1690 a 1710, falecendo em 3 de abril e como era uso, sepultado na Capela-mor de igreja.

E como noutros casos também o Prior João Vaz Pixeiro seria de Alvalade, uma vez que encontramos em registos paroquiais a referência a um António Vaz Pixeiro.

_Fernanda Freitas

Julho de 2019

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