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Quantos pães terão sido cozidos neste velho forno a lenha, que hoje jaz no Vale do Sado nas imediações da ORISUL? A boca escura do forno, agora fria, conta o peso do abandono. No entanto, tocando nas suas paredes de tijolo quase que se consegue ouvir o estalar rítmico da lenha a arder.
O pão feito nestes fornos, um pouco espalhados pela freguesia, não alimentava apenas o corpo; nutria a alma de uma família inteira. As mãos velhas, sulcadas por rugas que pareciam rios de experiência, sabiam exactamente quando a farinha pedia água e quando a massa exigia descanso. Não se usavam relógios; o tempo era medido pelo bater do coração e pelo calor que subia do tijolo de burro. O aroma que escapava pelas frestas da porta do forno não era apenas o cheiro do pão a cozer. Era o perfume do aconchego, o prenúncio de que, enquanto houvesse braseiro, haveria vida e partilha à mesa.
As mãos que sabiam o ponto exacto da massa já partiram, e os jovens de hoje não conhecem o cheiro da lenha a queimar na madrugada. O forno calcinado pelo tempo é agora uma ruína de tijolo que guarda um calor que nunca mais vai voltar…
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