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As paredes do mais formoso edifício do Cerro do Moinho, guardam o peso de um tempo que já não volta. Onde outrora escorreu a vida administrativa do Posto de Culturas Regadas Dom Manuel de Castelo Branco, o eco do silêncio substituiu o som dos passos decididos e das conversas animadas das várias gerações de engenheiros agrícolas que acolheu. Ali, no vigor do seu tirocínio, mentes jovens e brilhantes cruzavam saberes com algumas das melhores universidades do país, desenhando o amanhã agrícola sobre folhas de papel que o tempo amareleceu. As janelas abertas para o vale do Sado e para a hidráulica viram nascer projetos e experiências de novas culturas, ensaiadas para esta região. Dentro daquelas salas, a ciência e a natureza dialogavam em harmonia.
Estudavam-se terrenos, sementes, pragas, o clima e projetavam-se novas culturas que mais tarde cobririam o campo de experiência em frente, na hidráulica. O edifício era o coração vivo de um projecto que deu frutos importantes e prestígio a Alvalade.
Os valiosos serviços que deram alma ao imóvel e sustento à terra foram extintos pela voragem inexorável dos novos tempos. Onde havia progresso e partilha, restam apenas o abandono e uma quietude pesada. A natureza ao redor continua viva e pujante, mas a beleza do edifício veste-se agora de tristeza e melancolia. Mudo e esquecido, assiste ao desfiar dos dias na várzea como uma sentinela de alvenaria que chora a glória do seu próprio passado enquanto aguarda por um novo uso…
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