Caminhar por estes corredores de silêncio não é um acto de solidão, mas um reencontro… Neste cemitério repousam os nossos antepassados, os mesmos que, com mãos calosas e passos firmes, desenharam o contorno das ruas da vila que hoje calcamos e semearam a identidade que nos define. Cada lápide é uma página de uma crónica maior, escrita a suor e afecto. Aqui descansam os velhos trabalhadores rurais, as lavadeiras de braços fortes, as ceifeiras, as costureiras, as caiadeiras, os maiorais de gado, os sapateiros, os abegões, os alfaiates, os taberneiros, os ganhões, os hortelões, os seareiros, os lagareiros, os moageiros, os ferradores, os taipeiros, os jornaleiros, os carpinteiros, os cadeireiros, os tosquiadores, os ferreiros, os barbeiros, os pastores, os comerciantes de palavra honrada e os contadores de estórias que animavam as noites nas tabernas…
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