Os pegos Redondo, das Tramagueiras, da Panela, da Água Azul, do Cruzamento das Ribeiras e do Telheiro — entre tantos outros recantos de águas calmas — foram, durante décadas, as autênticas «praias fluviais» da juventude alvaladense durante os dias tórridos de verão. Imersos na paisagem ribeirinha do Sado e da ribeira de Campilhas, enquadrados por uma vegetação ripícola viçosa, fresca e generosa em sombras, estes refúgios naturais permanecem gravados com nitidez na memória afetiva daqueles que os viveram e nas recordações transmitidas pelas gerações que nos antecederam.Eram tempos de profunda comunhão com a natureza local, em que a população sabia extrair o melhor das vivências simples que a terra oferecia. Numa época em que a freguesia lidava com a escassez de meios e a ausência de equipamentos de lazer organizados, os cursos de água que abraçam a vila assumiam-se como idílicos espaços de convívio, liberdade e recreio para a rapaziada de Alvalade. Ali se aprendia a nadar, se desafiavam coragens em saltos audazes e se teciam amizades que haveriam de durar uma vida inteira.
Desses pegos e espelhos de água ficaram guardadas inúmeras peripécias, risos, histórias e tradições — um valioso património de antropologia cultural e imaterial da freguesia. Hoje, perante as transformações do território e dos modos de vida, essas memórias correm o risco de se diluir na espuma do tempo, tornando ainda mais urgente o dever de as registar, avivar e celebrar.
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