O sol de Agosto caía como um forno sobre os telhados de Alvalade. Os quarenta graus à sombra fustigavam a terra, e nem a brisa da várzea arriscava soprar. Debaixo da latada, o velho Ti Bento repousava numa cadeira pintada de almagre, com as rosetas brancas desbotadas pelo tempo e…
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A poeira da estrada que vinha do Sul parecia nunca mais assentar. Manuel da Costa ajustou o capote de lã pesada sobre os ombros robustos, sentindo no rosto redondo o ar húmido que subia das margens do Tejo. Tinha o corpo grosso, talhado pelo trabalho e pelas viagens, e o…
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A poeira da estrada ainda nem assentara nas ruelas de Alvalade quando a notícia começou a correr de boca em boca. Nos campos onde a terra seca teimava em dar o sustento, as mãos calejadas pararam o trabalho. Os olhares, habitualmente pesados de resignação, ergueram-se com um misto de dúvida…
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O Sol de final de tarde dourava a calçada inclinada, mas no passeio elevado defronte à taberna, a sombra já começava a estender-se. Claudino, conhecido por todos como o Quedas, limpava o balcão de madeira gasta com um pano encardido, enquanto o burburinho na rua marcava o ritmo da vila.…
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O sol de outono declinava no horizonte de Alvalade, tingindo o céu com tons de oiro e bronze antigo. A grande azáfama das colheitas chegara ao fim. Terminada a apanha do tomate, vindimadas as uvas em Conqueiros e recolhido o milho, a terra parecia suspirar — cansada, mas generosa. Para…
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A geada fina de finais de novembro cobria o vale do Sado com um manto cinzento, mas no interior do Hospital do Espírito Santo, na rua Quente (actual rua da Cruz), o calor vinha do medo. O clérigo Estêvão da Frota, com as mãos trémulas, tentava ajeitar os dois únicos…
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O sol de outono dourava o piso rude da rua Quente (actual rua da Cruz), projetando sombras longas sobre a parede de taipa do Hospital do Espírito Santo. Sentado no poial de pedra, junto ao portal, Tristão Mendes, o mordomo da confraria e do hospital, com o olhar cansado mas…
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Corria o ano de 1904 quando o testamento de Francisco Mira Pinheiro, abastado proprietário natural de Azinheira dos Barros, desvendou a grandiosidade do seu império em Alvalade. Na antiga Rua de Lisboa, erguia-se uma imponente morada de catorze compartimentos, ladeada por dois celeiros, tulhas, adega, casa de destilação e cavalariças…
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