O espaço hoje ocupado pelos ‘casões do quer-tudo’ (na imagem), como a população lhes chama, foi, pelo menos, desde o séc. XV, um terreno limpo e cercado designado como o ‘Curral do Concelho de Alvalade’. A função deste espaço concelhio era guardar o gado (bois, vacas, ovelhas, cabras) em trânsito, tresmalhado ou apanhado em propriedades alheias e apreendido pelas autoridades locais até que fosse reclamado pelo seu dono e após pagar as respectivas coimas e os eventuais estragos causados nos terrenos ou propriedades de terceiros.
No séc. XVI, o foral manuelino determinava que o então designado gado de vento (gado sem marcação e sem dono conhecido) encontrado nos campos de Alvalade, ficava a ser pertença do Mestrado da Ordem de Santiago, que detinha o senhorio deste território. Quanto ao gado tresmalhado disputado e reclamado por vários e alegados proprietários, a sua entrega teria que ser decidida pela justiça da terra.
Na herdade da Ameira era habitual ser encontrado e apreendido gado tresmalhado, como anunciava o pregoeiro da vila nos finais do séc. XIX: ‘Seja louvado Nosso Senhor Jesus Cristo! Todo o gado que foi encontrado na pastagem da Ameira, será encoimado e levado para o Curral do Concelho. Ouviram ou não ouviram?”…
_Luís Pedro Ramos
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