O tanque do abegão…

Início » Memórias sociais » O tanque do abegão…

Sem comentários

O tanque de pedra calcária que repousa no largo da igreja foi pertença do antigo abegão António Mestre (séc. XX). Artífice alvaladense de mestria reconhecida na arte dos carros de tração animal, de charruas e outras alfaias agrícolas, com oficina no fim da rua Padre Abel Varzim, onde trabalhava e moldava o ferro em brasa sob o bater ritmado do martelo na bigorna. As faíscas que saltavam na penumbra da oficina, desenhavam o esforço dos seus braços calejados. Quando a peça atingia a forma perfeita, vinha o baptismo da têmpera. O ferro incandescente era então mergulhado na água fria do tanque. Era ali, naquele banho estrepitoso, que o ferro ganhava a rigidez necessária para rasgar a terra ou suportar o peso das colheitas.
Hoje, o tanque, imóvel, recorda-nos o tempo em que o trabalho humano se media pela força do pulso e pela paciência do ofício. A água já não ferve no tanque com o calor do metal, mas a pedra guarda, nas suas rugosidades, a memória viva de uma arte quase esquecida…
_Luís Pedro Ramos

Deixe um comentário

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.