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Aqui já não se ouve o chiar metálico dos travões dos comboios a anunciar a chegada de novidades. O apito estridente que outrora anunciava a chegada da “maria-fumaça” ou das automotoras, há muito que se calou. Na estação, o silêncio é agora o único passageiro que não se atrasa.
Não há magalas com as suas fardas apertadas e saco ao ombro, nem populares tropeçando em malas e cestos, procurando um lugar ou despedindo-se com lenços brancos no ar, que faziam da azáfama das suas vidas o pulsar deste lugar.
O cais de embarque, outrora palco de encontros e despedidas, jaz deserto e indiferente aos comboios que por ali passam mas teimam em não parar…
O abraço apertado de quem partia para a tropa, a pressa de quem ia trabalhar ou visitar algum familiar e o burburinho das conversas de ocasião perderam-se no eco destas velhas e desgastadas paredes, que ainda guardam os segredos de milhares de vidas que por ali passaram.
É o retrato de um interior que foi desligado do país, onde a estação de comboios, em vez de ser uma porta para o mundo, tornou-se um monumento ao isolamento e ao esquecimento sistemático de quem vive longe do litoral…
_Luis Pedro Ramos
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