A sentinela de betão…

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Erguido no terreno sagrado e sob a influência das ruínas da ermida de São Sebastião, o velho depósito elevado de água ergue-se no cimo da vila como uma sentinela solitária… Uma torre de betão que rasga o céu dos dias, guardando nas suas entranhas o latejar silencioso do precioso líquido. Cada gota de água que viaja na escuridão das suas tubagens até ao coração de cada casa alvaladense é um milagre invisível, uma promessa líquida de vida que corre sob a terra pisada por tantas e tantas gerações…
Há uma melancolia profunda na sua imponência utilitária: ele vigia e alimenta os vivos no mesmo lugar onde os antigos pediam proteção contra as pestes e as guerras a São Sebastião. De onde antes desciam fervorosas procissões em louvor ao patrono da ermida, escorre agora o precioso líquido que serpenteia silencioso pelas ruas de Alvalade.
Nas noites mais frias e de luar, o depósito abraça o solo que já foi de prece e devoção e a sua sombra projeta-se como uma cruz moderna sobre o casario adormecido da vila…
_Luís Pedro Ramos

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