As escadinhas…

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Pelas escadinhas do Cerro do Moinho subiram e desceram amores e desamores… Cada degrau guardava o eco de duas histórias distintas: a da subida, leve e cheia de expectativa, e a da descida, por vezes pesada pelo silêncio dos desencantos. Ali se cruzavam os que subiam com o coração aos saltos, ansiosos pelo toque de uma mão, e os que desciam de olhos baixos, engolindo o orgulho de uma discussão estéril.
A mesma estrutura que servia de palco para o início de paixões avassaladoras testemunhava o ponto final de romances que o tempo desgastara. Para os namorados em harmonia, os degraus eram curtos, quase inexistentes, ultrapassados com a pressa de quem tem o mundo inteiro nos braços do outro. Para os desavindos, cada degrau parecia uma montanha intransponível, um espaço gelado onde as palavras ditas por impulso ecoavam como sentenças definitivas. No final, todos passavam pelas escadinhas do Cerro do Moinho que ainda guardam o segredo de todas as lágrimas, suspiros e sorrisos que por ali subiram e desceram…
_Luís Pedro Ramos

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