Nos finais da década de 1950, as jovens de Alvalade tinham ao seu dispor uma “Escola de Corte, Costura e Bordados” instalada nos antigos Paços do Concelho (na imagem), numa iniciativa promovida pela prestigiada marca SINGER.
Este género de formação inseria-se perfeitamente na doutrina do regime salazarista, que procurava edificar uma sociedade alicerçada na trilogia “Deus, Pátria e Família”. Para sustentar este modelo, propagandeava-se um protótipo de lar tradicional centrado no pai, na mãe e nos filhos, tendo como grande objetivo moldar a “mulher portuguesa ideal”. Através de uma estrita educação moral, cívica e social, incutia-se-lhes o gosto pela vida doméstica, pela previdência e pelo serviço à comunidade, cimentando o papel da mulher enquanto esposa, mãe e educadora devota.
É neste contexto que os cursos de corte e costura ganham força. Mais do que ensinar um ofício e preparar as raparigas para o futuro, estas aulas funcionavam como um incentivo para que confecionassem o seu próprio vestuário e o da família. Tratava-se de uma estratégia eficaz de economia doméstica que, ao mesmo tempo, cumpria o desígnio do regime: manter as mulheres resguardadas no recesso do lar, o lugar que o Estado Novo considerava ser, por direito, o seu…
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