
A Irmandade do Santíssimo Sacramento de Alvalade, erigida na igreja matriz no século XVI, tinha sob a sua alçada, entre outras atribuições, a organização das solenes festividades do Santíssimo e da Semana Santa — celebrações vividas com invulgar aparato, imponência e evidente ostentação nos paramentos e alfaias sagradas.
Detentora de consideráveis recursos materiais e financeiros, e integrando na sua estrutura muitos dos mais notáveis e abastados cidadãos da época, foi também esta irmandade que encomendou e custeou o majestoso retábulo-mor da matriz. Erguido no último quartel do século XVII, o altar constitui um exemplar notável do barroco Joanino e da estética nacional.
Desta antiga e venerável congregação de leigos e clérigos, devotada ao culto eucarístico, subsiste ainda no templo alvaladense a vara de juiz — o bastão de comando do seu responsável principal. Símbolo maior de autoridade e zelo, o objeto era empunhado pelo líder nos atos solenes, nas cerimónias oficiais e nas procissões organizadas pela confraria. Esculpido em madeira com acabamento a folha de ouro, este secular bastão é rematado por uma pequena custódia estilizada, figuração perene da devoção ao Santíssimo Sacramento.
_Luís Pedro Ramos
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