
A colonização romana marcou de forma profunda e indelével a paisagem e a organização territorial de Alvalade, como atesta com eloquência a impressionante profusão de achados arqueológicos resgatados ao longo do último século nas suas terras e áreas envolventes.
Cruzando este espaço estratégico, articulava-se a antiga estrada romana que ligava a povoação de Garvão a Santa Margarida do Sado. Proveniente do importante complexo da Torre Vã, a via progredia ao longo da margem da ribeira de São Romão, vencendo o território através de herdades e lugares de memória secular: Defesa, Retorta, Valmargem, Gaspeia, Corredora e Figueiras. Ao aproximar-se da vila, o traçado penetrava no coração de Alvalade, acompanhando o alinhamento do seu eixo viário principal, para prosseguir depois em direção aos Coitos, ao Sobral de Meio Dia e a Santa Ana do Roxo. Ali, entroncava na grande estrada real que estabelecia a ligação entre a cidade litoral de Mirobriga (Santiago do Cacém) e a capital regional de Pax Julia (Beja), cruzando o rio num vau de excelência que contornava a foz do Roxo.
Para vencer os cursos de água e assegurar o tráfego regular de comboios, tropas e mercadorias, os vaus das velhas estradas romana e real assumiam um papel crucial na mobilidade regional. Destacavam-se, entre eles, o histórico «Porto de Beja» — topónimo que viria mais tarde a batizar o monte ali erguido — e, mais a jusante, o ancestral Porto Romano dos Coitos, cuja fruição e utilidade comunitária se perdem na bruma e nos confins dos tempos…
Comentários recentes