As oliveiras centenárias que guardam o adro da igreja matriz habitam um silêncio antigo. Arrancadas do terreno confinante com o cemitério de Alvalade — outrora pertencente à já desaparecida ermida de S. Pedro — e ali replantadas, elas assistem, imóveis, à passagem inexorável do tempo…
Aquelas copas cinzentas e rugosas são contemporâneas de mil e uma histórias que o vento apagou. Testemunharam segredos sussurrados à sombra da sua folhagem e os passos cansados daqueles que viram o mundo mudar, enquanto elas permaneciam imutáveis. Cada nó nos seus troncos esculpidos parece encerrar uma memória, uma promessa esquecida ou um adeus que os anos desgastaram.
Ali, na paz do adro, estas velhas árvores erguem-se como guardiãs dos séculos e sentinelas na penumbra da igreja matriz. Sobreviveram a invernos rigorosos e a verões inclementes, vendo a vila crescer e gerações inteiras chegar e partir. São o elo vivo entre um passado que a memória resgata e um presente que teima em esquecer a sua própria fragilidade.
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