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O silêncio que agora domina o local esconde o bulício de outros tempos… Onde hoje se ouve apenas o restolhar do vento no silvado que engoliu o monte, existiu outrora um posto de controle dos caudais da milenar ribeira de Campilhas. Cada subida e descida do nível daquele curso de água eram anotadas com uma precisão matemática. O “Contador S8” não era apenas um posto; era uma sentinela solitária na margem, um guardião que traduzia a fúria e a calmaria da ribeira em números e relatórios…
Nas noites de cheia, o Contador nunca dormia. Havia uma urgência sagrada no ar, uma comunhão tensa entre o homem e a força bruta da natureza. Hoje, a ribeira é uma sombra esquecida de si mesma. O seu leito, cansado e raso, já não tem força para cantar… Secou-a o clima, prendeu-a a mão humana e matou-a o abandono.
O Monte do Contador, que outrora serviu de base a uma missão importante de monitorização ambiental, ergue-se agora como um monumento à nossa própria amnésia. E o caudal da ribeira de Campilhas, outrora impetuoso, perdeu-se na distância, restando apenas o eco fantasmagórico de uma água que já pouco corre, mas que teima em chorar na memória de quem recusa esquecer…
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