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O nome da ladeira eternizou a alcunha do carismático taberneiro que, a meio da subida, servia copos de vinho e petiscos numa das portas mais concorridas da vila, no século passado. Até 1914, aquela rua inclinada foi a principal entrada da vila. Era também por ali que as mulheres da terra passavam para ir lavar roupa ou recolher água à Bica, com alguidares e enfusas de barro à cabeça, num vaivém constante e harmonioso gravado no ritmo dos dias.
A meio da ladeira, duas pedras embutidas no passeio elevado, defronte da entrada da desaparecida taberna do Quedas, resistem ao tempo e continuam a falar a quem as sabe escutar… Exibem os sulcos deixados pelos canivetes de bolso e pelas facas desdobráveis dos frequentadores daquele espaço. Ali, entre um copo de vinho e uma conversa, os homens aguçavam as suas ferramentas de culto. O canivete foi sempre um objeto indispensável no quotidiano rural, mas aquela lâmina afiada na pedra tanto servia para cortar o pão e a linguiça na partilha do farnel, como para resolver as desavenças da honra. O mesmo metal que partilhava o petisco protagonizava, num ápice, as zaragatas e as estórias de facadas que mancharam de sangue o chão das ruas e das tabernas, numa Alvalade antiga, violenta e apaixonada, que hoje repousa no silêncio da memória…
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