A Ponte da Campilhas, um poema de ferro, pedra e silêncio …

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Foi a costura que unia as duas margens da ribeira de Campilhas e o mundo, através do comboio. Por cima dela passaram malas cheias de esperança, soldados a caminho da guerra, amantes em despedidas lacrimosas e as novidades ansiadas na vila. Depois, veio o silêncio. Tiraram-lhe o peso e o calor dos comboios e hoje apenas sente o toque suave das patas das cegonhas que nidificam ou descansam no seu topo.
Enquanto estiver de pé, guardará consigo o segredo de cada viagem, as alegrias e os medos de cada passageiro e a saudade de quando o mundo passava por cima dela a correr. A ribeira de Campilhas, lá em baixo, continua a correr, indiferente à sua imobilidade. Ela flui e a ponte fica. Agora transformada numa cicatriz esquecida na paisagem…
_Luís Pedro Ramos

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