Início » Memórias sociais » Os balneários do Campo de Jogos “Custódio Alves”…
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Hoje, quem passa no local, mal consegue adivinhar que sob o manto verde e espinhoso da natureza brava repousam as ruínas dos balneários do desaparecido “Campo de Jogos Custódio Alves”, na periferia desta vila. A natureza reclama o espaço com uma calma cruel, cobrindo as paredes cansadas que outrora testemunharam o pulsar vibrante de uma época de futebol memorável do F.C. Alvaladense.
Há uma melancolia pesada no ar, um silêncio que esmaga o peito de quem ainda se lembra que naquelas paredes equiparam-se outrora homens cheios de sonhos. Ali, no calor daquele espaço exíguo, atletas e árbitros partilharam o mesmo nervosismo e ansiedade antes do apito inicial de cada jogo. Ouviram-se gritos de tática, promessas de vitória e desabafos de cansaço. Ao lado, literalmente coberto de silvas e ervas daninhas, pulsou de vida um pequeno bar. Recordar esse cantinho é evocar o eco distante de copos a brindar e de gargantas secas que se refrescavam na pressa dos intervalos e no fim dos jogos. Era o refúgio do adepto e o ponto de encontro onde a paixão se discutia entre tragos de cerveja.
O “Campo Custódio Alves” já não tem linhas brancas de cal, nem balizas… Resta-lhe apenas o esqueleto dos seus balneários, devorados pelo esquecimento. Ficou a saudade, suspensa no local do terreno de jogo lembrando-nos de que até a glória mais pura do desporto é, no fim, poeira e memória moldada pelo abandono…
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