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Quantas gerações aqui viveram e fizeram estas velhas ruas fervilhar de vida? Por aqui circularam homens de chapéu e mulheres de xaile, figuras que transportavam o peso dos dias com uma resiliência silenciosa. Eram tempos do “bom dia” à porta, e da preocupação e solidariedade dos vizinhos que se manifestavam no prato de sopa que atravessava a rua, na partilha do sal, coentros e hortícolas que faltavam no jantar, ou no olhar atento sobre as crianças que faziam destas ruas o seu recreio seguro.
Gente que se reconhecia pelo som do andar e cujos laços de vizinhança eram tão fortes quanto os de sangue. Hoje, o silêncio das casas vazias nestas ruas e ruelas lembra-nos que o centro histórico de Alvalade não é feito apenas de paredes brancas e molduras coloridas, mas da alma de quem o habita…
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