Quem percorre o caminho a partir do final da Rua de Lisboa, embrenhando-se pelo Vale de Campilhas e atravessando a ponte romana, dificilmente imagina a enorme importância e o intenso tráfego que aquela via conheceu noutros tempos…
Afluindo à Rua de Lisboa — uma das principais portas de entrada e saída de Alvalade durante séculos —, esta antiga estrada serviu a vila pelo menos desde a época romana. Por ali passava a via que ligava a cidade romana de Miróbriga (Santiago do Cacém) a Vipasca (Aljustrel), permitindo a velha Ponte de Campilhas a transposição da ribeira e assegurando a circulação fluida de pessoas e bens, com passagem obrigatória por Alvalade, que desde sempre retirou dividendos da sua localização estratégica.
Ao longo de séculos, toda a sorte de viajantes por ali passou: mercadores, almocreves, pastores, agricultores, cavaleiros, romeiros, feirantes, mendigos e viajantes, mas também tropas militares, escravos e salteadores. Foi também por este caminho que o rei D. Miguel I, já deposto, seguiu rumo a Sines com o seu séquito e escolta militar a 1 de Junho de 1834, após ter pernoitado em Alvalade.
Um caminho profundamente impregnado de História que o desenvolvimento moderno reduziu a um mero acesso aos campos agrícolas de Campilhas — e que justifica, por inteiro, um projeto de valorização e a sua integração num roteiro temático da freguesia.
_Luís Pedro Ramos
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