O Campo da Oliveira Grossa…

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Onde hoje se erguem moradias e quintais alinhados, pulsava outrora a terra batida do ‘Campo da Oliveira Grossa’. Um recanto de poeira e liberdade, rasgado num extenso olival (na fotografia) outrora situado em frente da antiga Escola Primária e que ia até perto do depósito da água, na velha geografia de Alvalade. Ali, a juventude desafiava o tempo e entregava-se a correrias e intermináveis jogatanas de futebol. Sem táticas, sem árbitros e com balizas feitas de pedras ou erguidas apenas pela imaginação.

Nas tardes longas de verão, o ar quente tornava-se denso… A poeira fina do campo elevava-se em colunas douradas, beijada pela luz suave do crepúsculo. Esse mesmo pó, que nos tingia a pele e se agarrava às roupas, era como uma medalha de infância, um troféu de liberdade que trazíamos connosco para casa. Tudo isto acontecia sob o olhar sereno e protector de uma enorme oliveira milenar, no centro do terreno de jogo. Robusta e imponente, a árvore que baptizava o campo era mais do que um elemento da paisagem e no recinto; o seu tronco rugoso, esculpido pela sabedoria dos invernos, guardava cavidades profundas que, na nossa imaginação, se transformavam em castelos e refúgios…

Porém, a vila cresceu… E o avanço urbano de Alvalade, implacável e silencioso, engoliu o terreno e sepultou o retângulo mítico de jogo da nossa meninice. Sem a terra para respirar, a mui velhinha oliveira grossa também sucumbiu, desaparecendo da linha do horizonte. Hoje, resta apenas o silêncio cinzento das ruas asfaltadas. Desse tempo, sobejam memórias fragmentadas e imagens de tardes que julgávamos eternas. Lembranças que, como a poeira daquele campo, se vão diluindo e apagando lentamente na voragem do tempo…



_Luís Pedro Ramos

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